JUVENTUDE, SOCIOEDUCAÇÃO E ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE

Autores

  • Rafael Felix Leite
  • Rhaynah Gladys Vasconcelos de Oliveira

Palavras-chave:

Juventude. Socioeducação. Saúde Coletiva. Cidadania. Democracia

Resumo

A presente comunicação oral refere-se ao Projeto de Extensão de Atenção Integral à Saúde Prisional e Internação Socioeducativa (PAISPIS), executado na Unidade de Internação Provisória de Rio Largo e na Unidade de Internação Feminina, ambas localizadas em Alagoas. O projeto é vinculado à Universidade Estadual de Ciências de Saúde de Alagoas (Uncisal) e ampara-se fundamentalmente na Lei 8.069/90 ou Estatuto da Criança e Adolescente (BRASIL, 1990) e na Portaria nº 1.082/2014, que redefine as diretrizes da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes em Conflito com a Lei, em Regime de Internação e Internação Provisória (PNAISARI) (BRASIL, 2014). Desta forma, pensa-se os adolescentes como sujeitos de direitos e deveres, além de concebê-los a partir de um conceito amplo e contemporâneo de saúde, multidimensional, multideterminado e complexo. O projeto visa possibilitar acesso e dignidade a jovens em cumprimento de medidas socioeducativas, buscando torna-los protagonistas do próprio cuidado, atribuindo-lhes novos significados e vivências. A finalidade é disponibilizar ações e atividades de participação integral, promovendo ampliação da atenção em saúde nos contextos de privação de liberdade. As atividades buscam construir relações positivas que aproxime o cuidado desses jovens institucionalizados, respeitando a autonomia do indivíduo, prezando por uma assistência humanizada que considere a complexidade dos sujeitos e suas condições de potência e de vulnerabilidade. As ações reúnem estudantes de cursos da área de saúde de forma geral: terapia ocupacional, fisioterapia, serviço social, psicologia, pedagogia, medicina, jornalismo e licenciaturas em contato com a realidade e as necessidades dos sujeitos que estão sob o cumprimento da internação e medidas socioeducativas. As atividades tem a finalidade de valorizar os conhecimentos relacionados ao autocuidado e bem-estar, sejam eles advindos dos próprios adolescentes ou dos saberes acadêmicos dos membros do projeto; além de favorecer as relações interpessoais e familiares, valorizar as preferências educativas e culturais e garantir situações que contribuam de modo a cooperar nas situações vivenciadas, por meio de abordagens acessíveis ao público juvenil. As atividades são divididas em quatro eixos, listados a seguir: I – Educação em Saúde, II – Esporte, cultura e lazer, III – Profissionalização e IV – Família e as atividades ocorrem uma vez por semana. Os métodos utilizados para trabalhar os temas são inúmeros: diálogos grupais, recortes e colagens em revistas, intervenções educativas, confecção de cartazes são algumas das possibilidades a qual se lança mão no projeto. Assim como os métodos, os resultados também se mostram diversos. Alguns adolescentes apresentam discursos com forte vinculação ao ato infracional praticado, outros permitem expor saudades e ressentimentos em relação à família; alguns tentam se mostrar “durões”, outros revelam que choram todos os dias ao sentir falta de alguma pessoa querida. Os resultados refletem-se também entre os preceptores (profissionais que supervisionam os grupos do projeto) e os membros. Abre-se mão de valorizar apenas respostas desejáveis, idealizando um adolescente que não existe, mas busca-se também considerar os discursos com fortes vieses dos grupos criminosos organizados, dentre outros que, não raro, põe-nos a pensar que não se obteve êxito na intervenção. Os adolescentes nos gratificam com presentes singelos: origamis, feitos a mão, com dedicação e cuidado. Entendemos que é a sua maneira de agradecer A ideia é permanência e ampliação do projeto, que conta com cada vez mais confiança e apoio da Superintendência de Medidas Socioeducativas (Sumese) do estado e das direções das unidades onde o projeto é desenvolvido.

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Publicado

01/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade