MULHERES NEGRAS: ACEITAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE

Autores

  • Ana Camila de Oliveira
  • Lucas Alencar Pinto

Palavras-chave:

Mulheres negras. Racismo. Opressão. Identidade

Resumo

Homens e mulheres, cada qual com sua cultura, seu jeito de ser e sua história foram traficados. Carregavam consigo lembranças e valores familiares que influenciaram na forma de organização da sociedade brasileira, eram vistos como mercadorias e eram selecionados conforme padrão estético que melhor atendessem aos objetivos de cada escravocrata, fosse para o trabalho pesado ou para a satisfação do desejo sexual. Assim, a escravização deixou marcas profundas na sociedade brasileira desqualificando a população negra de várias maneiras, lhe reservando a condição de sub-humanidade. O indivíduo negro foi definido como raça e seu lugar, sua forma de tratar e ser tratado, como também os padrões de interação com o branco foram demarcados, além de ter sido desenvolvida uma relação entre a cor negra e a posição social inferior, que está diretamente relacionada ao racismo estrutural por negar à população negra a ascensão social. Cabe ressaltar que a desconsideração que a cultura afro-brasileira sofre no Brasil tem raízes em civilizações anteriores, mas foi no período colonial que o desrespeito tomou forma, quando as mulheres africanas escravizadas foram obrigadas a internalizar a ideologia do sistema racista que impunha o catolicismo e a cultura branca como primordial e necessária. Assim, a cultura africana foi vista como representação do grotesco, mas apesar de toda tentativa de excluí-la, ela conseguiu se perpetuar para além do período da escravatura, propagando-se no período pós-abolicionista e sendo cultivada até nosso tempo atual. Importante destacar que são as diversas expressões culturais que formam o Brasil de hoje, mas a negação de que há uma ligação entre a cultura do país e a africana ainda se faz presente pelos estudiosos racistas que tentam criam uma lógica que beneficie a cultura eurocêntrica, o que acarreta aos que carregam a cultura afro-brasileira diversas humilhações e a destruição da sua identidade. A troca cultural é de suma importância para a construção da identidade do indivíduo, as diferenças são acentuadas e há um diálogo com o outro. Contudo, o racismo tem uma forte influência nessa construção identitária, uma vez que estereotipa negativamente o grupo negro e o diálogo entre as culturas se torna viciado, determinando a forma como o outro se enxerga, sendo que através da aculturação e da dominação há a possibilidade de surgir mulheres afro-brasileiras europeizadas, onde em suas mentes prevalecem os ideais eurocêntricos. Dessa maneira, percebemos que o racismo se apresenta na sociedade das mais variadas formas, sendo a violência psicológica uma destas, fazendo da mulher negra alienada e possuída pelo discurso do qual tanto é vítima. Esse tipo de violência faz com que essa mulher inicialmente aceite a condição de inferior e assim busque modificar sua estrutura, usando muitas vezes pregadores de roupa para afinar o nariz, métodos perigosos para embranquecer a pele e outros meios que possam torná-la naquilo que tanto pensa ser o ideal, ou seja, faz com que ela não aceite sua imagem ou seu corpo, dentre outras coisas. Podemos dizer que a sociedade racista destrói a dignidade humana da mulher negra e a torna apenas na ideia de um corpo sem mente e sem cultura, causando um impacto psicológico e destruindo a capacidade cognitiva que a faz perceber sua humanidade, sendo que em conformidade com Bell Hooks “por outras palavras, foi-nos pedido que negássemos uma parte de nós próprias e fizemo-lo”.

Downloads

Publicado

01/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade