REDE DE ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES NO MUNICÍPIO DE GARANHUNS/PE: PERSPECTIVAS DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL

Autores

  • Patrícia Ivanca de Espíndola Gonaçalves
  • Jorge Luiz Cardoso Lyra da Fonseca

Palavras-chave:

Violência. Mulheres. Rede. Enfrentamento

Resumo

O presente trabalho é um recorte da dissertação intitulada “Enfrentamento à violência contra as mulheres no município de Garanhuns/PE: perspectivas da equipe multiprofissional. Participaram desta pesquisa 13 profissionais das equipes da Secretaria da Mulher de Garanhuns (SecMul-Gus) e Centro Especializado de Atendimento à mulher em situação de violência – Joana Beatriz de Lima e Silva (CEAM-JB). Trata-se de um estudo que parte da perspectiva construcionista do conhecimento e das epistemologias feministas. Como metodologia, foram realizadas observação no cotidiano, análise de documentos públicos e três oficinas. A partir dos resultados, foi possível perceber que a SecMul-Gus e o CEAM-JB organizam as ações de enfrentamento à violência contra as mulheres a partir de três eixos: 1) ações de prevenção; 2) atendimento às mulheres em situação de violência e 3) articulação intersetorial. Este estudo destina-se a refletir sobre esse último componente. A Rede de Atendimento às mulheres em situação de violência leva em conta a Rota Crítica que a mulher percorre. Para Sagot (2000), esta Rota começa a partir da decisão e determinação das mulheres de sair da situação de violência. O caminho percorrido pode ser iniciado a partir de diversas portas-de-entrada, a exemplo da Delegacia, serviço da assistência social, emergências, serviços especializados, entre outros. Faz-se necessário que, independentemente de onde ocorra o primeiro atendimento, as diversas instituições da rede possam trabalhar de forma articulada para uma assistência qualificada, integral e que não revitimize a mulher que se encontra em situação de violência. Durante a oficina as participantes da pesquisa listram trinta e três (33) equipamentos das diversas redes (saúde, educação, assistência social etc) que compõe a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres do município de Garanhuns/PE, sendo que, quatro (4) destes encontram-se fora do munícipio. Após identificar todos os equipamentos, discutimos o relacionamento entre a SecMul-Gus, CEAM-JB com as instituições listadas. Para isto, refletimos se as relações estão fortalecidas, se apresentam fragilidades e se não há relacionamento e/ou comunicação. Observamos que a SecMul-Gus e CEAM-JB apresentam um bom desempenho nas articulações e no relacionamento com a maioria dos equipamentos das diversas redes. Porém, os equipamentos identificados, pelas participantes da pesquisa, com fragilidade representam, muitas vezes a porta de entrada das mulheres em situação de violência no município, a exemplo do Hospital e Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). Porém, as participantes relataram que são dificuldades/fragilidades pontuais que podem ser resolvidas devido ao vínculo estabelecido com os/as gestores/as das unidades. Uma questão importante a ser discutida sobre a fragilidade da rede de atendimento à mulher em situação de violência refere-se ao que as participantes nomearam de personificação da instituição, ou seja, a instituição deixa de ser um equipamento e passa a ser uma pessoa e o acesso das mulheres em situação à violência nos diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres depende das relações pessoais que os profissionais possuem, bem como o acesso é facilitado ou não pelo vínculo estabelecido entre os profissionais e não entre instituições. A reflexão realizada durante a pesquisa foi importante, pois ao analisar cada equipamento a pesquisadora e participantes puderam identificar as barreiras que, muitas vezes, dificulta as ações intersetoriais, bem como as estratégias para minimizar as fragilidades e fortalecer os pontos positivos da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em Garanhuns/PE.

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Publicado

01/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade