“TÁ LÁ O CORPO DE MAIS UMA TRAVESTI NO CHÃO...”: O IMPÉRIO DA VIOLÊNCIA NO NORDESTE

Autores

  • Oliveira de Araújo ,
  • Jorge Fernando de Souza Neto

Palavras-chave:

Travesti. Violência. Saúde

Resumo

Os diversos tipos de violência sofrida historicamente pelas travestis se dão pelas lacunas e deficientes falhas nas políticas públicas para essa população, também agregado as negligências integral a saúde. Existe uma educação precária e a própria negação no mercado profissional: são, estigmatizadas, desrespeitadas por serem como são. Convém enfatizar que a concepção heteronormativa reforça o processo de exclusão reproduzindo uma sociedade que compreende e analisa a travesti a partir da promiscuidade. A correlação do estado dito “laico”, e sua relação histórica com a religião reforça maquiadamente atos que permitem socialmente em atos de ódio contra a população LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travesti e Transexuais. Inclui-se a violência doméstica, social, e o Estado que é o maior violador destes direitos, fazendo com que as mesmas procurem estratégias de sobrevivência, se deparando com realidade cruel, da prostituição, e a procura identitária do seu corpo e formas que precisam ter para se reafirmar como tal. Em contrapartida a prostituição não é uma escolha e sim uma necessidade e sendo vista como algo imoral e depreciativo a prostituição é meio de sobrevivência para garantia de sua subsistência. Neste sentido muitas são perseguidas pela homofobia, transfobia e a suscetibilidade a doenças oferecida nesse meio, tantas são mortas, espancadas não por fazer algo, mais por agredir com sua existência (VIDAL e PAIXÃO, 2016). De acordo com a ONG Internacional Transgender Europe (TGEU) que monitora os assassinatos de Travestis e Transexuais pelo mundo no período de 01/10/2016 a 30/09/2017, foram assassinadas (171) pessoas Trans no Brasil, seguidos de (56) mortes no México, (25) nos Estados Unidos, (10) na Colômbia e (07) na Argentina (NÚCLEO DE ESTUDOS EM SAÚDE PÚBLICA, 2018). Importa salientar que no Brasil onde se matam mais Travestis e Transexuais ocorrem no Nordeste, com (69) assassinatos, correspondente a 39% dos casos. Relaciona-se ao fato das amarras coronelistas e imperialistas que conduzem a política, econômica e social da referida região. No ano de 2012 o Brasil expos dados sobre a violação dos direitos humanos da população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travesti, Transexuais) no ano de 2011, mostrando o aumento de violência e sendo as principais vítimas da homofobia e transfobia as travestis e transexuais, em foco as profissionais do sexo que diariamente estão nas ruas para suprir suas próprias necessidades como ser humano, e trabalhar para autorrealização e afirmação identitária. Das diversas formas de violência sofrida pelas travestis, se inicia muitas vezes na destituição familiar, sem completar seus 18 anos de idade, escolaridade e nenhuma forma de garantir sua subsistência, quando as mesmas não se reconhecem com o sexo biológico e se auto afirma como mulher, a rua e prostituição não nasce como escolha mais como necessidade. A violência física e verbal com palavras chulas depreciativas, pelas famílias, amigos e sociedade e até no seu próprio meio LGBT elas não são vistas com bons olhos, comparado ao gay promissor e lésbica bem-sucedida, são tratadas como a escória das escórias, pois, a opressão psicológica vem de todas as formas (SOUZA, 2015). De acordo com os índices que apontam para região do Nordeste a aniquilação de Travestis e Transexuais percebe-se que essa problemática está para além da Saúde Pública, haja vista que esses assassinatos ocorrem não ao exercício da sexualidade, mas sobre a identidade de gênero. Os corpos desses seres humanos desafiam as normas postas por uma sociedade que teve e tem a violência como sua parteira, fazendo com que essas pessoas sejam expurgadas e aniquiladas. Convém enfatizar que essas vítimas de uma sociabilidade egoísta, heteronormativa, possuem, classe social, e cor, pois os índices demonstram que essas vítimas estavam em vulnerabilidade social e eram negras e pardas. Mediante o histórico da realidade das Travestis e Transexuais que demonstram a ineficiência de políticas públicas afirmativas para esta população que não se articulam com as demais políticas sociais, a pesquisa demonstrou que os casos estão relacionados pela vulnerabilidade social, gênero e cor. Segundo o relatório de violência homofóbica do GGB (Grupo Gay da Bahia) do ano de 2017 que a cada 19 horas um LGBT morre de forma violenta, vítimas da LGBTfobia, sendo o Brasil campeão mundial de crimes contra as minorias sexuais. 445 LGBT+ morreram no Brasil e 3 brasileiros fora do Brasil. A causa dos assassinatos por arma de fogo (30,8%), (25,2%) de arma branca por perfuro-cortantes, e na própria residência (37%), 56% em vias públicas e 6% em estabelecimentos privados. E fugindo das regras elas, as travestis profissionais do sexo que são mortas a tiros, pauladas e pedradas abrangendo as piores formas e mais cruéis nos seus locais de trabalho, as ruas. Enquanto os LGBTI+ não for pautado como saúde pública,
nas câmaras da política, educação e sociedade isso irá crescer cada vez mais, a intolerância é grande, são perseguidas e mortas dia-a-dia, pessoas essas, cidadãs que contribuem nos impostos, e merecem toda compaixão e respeito. Para além de Políticas de Saúde é necessário ao Estado reconhecer estes seres humanos como sujeitos de direitos e garantir a dignidade da pessoa humana, a partir do acesso digno a educação, saúde e emprego. Á vista disso inexiste um banco de dados com informações fidedignas pela Política de Segurança Pública que ao notificar esses assassinatos articulam ao uso de entorpecentes e/ou prostituição. A culpabilização desses assassinatos contribuem para grupos de extermínios de cunho fascista e nazista que se pautam em agendas de partidos políticos que são contra ao reconhecimento desses seres humanos como HUMANO, pois a partir desta análise podemos afirmar com clareza que mulher é quem se diz ser e vice-versa. Sendo as travestis o alvo disparado das pesquisas de violência sofrida, no seu âmbito familiar, social e saúde.

Downloads

Publicado

01/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade