VIOLÊNCIA LETAL ENTRE JOVENS NA CONTEMPORANEIDADE: UMA QUESTÃO DE GÊNERO

Autores

  • Francielle Alves da Silva

Palavras-chave:

Gênero. Androcentrismo. Patriarcado. Violência. Juventude.

Resumo

O presente trabalho traz uma reflexão sobre a relação entre androcentrismo, patriarcado e gênero na expressão da problemática da violência letal entre os jovens do sexo masculino, na sociedade brasileira. Fundamentamos a pesquisa através de leitura exploratória bibliográfica e documental, referenciada nos seguintes questionamentos: por que o mapa da violência no Brasil está predominantemente marcado pela morte de jovens homens e negros? Por que as condições de vulnerabilidade à violência letal são mais profundas em homens do que em mulheres? Se fosse apenas uma questão de classe social, as mulheres da classe trabalhadora empobrecida fariam parte desse mapa. No estudo chegamos à compreensão de que a violência expressa na incidência de mortes de jovens não é natural, mas possui raízes econômicas e socioculturais relacionadas ao androcentrismo e ao patriarcado, o que molda a masculinidade tradicional na ordem capitalista patriarcal - androcêntrica de gênero na contemporaneidade. O texto traz como resultado a demonstração teórica e histórica dessas raízes. O estudo das teorias de gênero, patriarcado no capitalismo e androcentrismo leva-nos a reconhecer a predominância da violência entre pessoas do sexo masculino, não como natural ou genético, mas sim como produto das relações sociais e construções históricas de gênero, da cultura patriarcal em um contexto social androcêntrico que toma o homem, sexo masculino, como categoria dominante e modelo ideal do humano. A cultura do patriarcado na sociedade consiste na estrutura mais significativa de desigualdade, exploração e repressão, ao mesmo tempo em que é a menos visível. O sistema patriarcal se incorpora de forma muitas vezes oculta, pelo simples fato do homem ter mais privilégios no espaço público, o patriarcado é mantido pelos homens por esses terem interesses de que as mulheres lhes sirvam e persistam complacentes, sendo um sistema fundado no controle e violência contra as mulheres. Esta ordem patriarcal de gênero se sustenta na ideologia androcêntrica. As discussões sobre a masculinidade têm sido atravessadas por questões relacionadas à violência, a qual vem se incorporando no sexo masculino, traduzindo-se nas relações cotidianas ancoradas no modelo hegemônico de masculinidade. A estrutura de dominação, que é associada à masculinidade, no âmbito das relações de gênero, pode contribuir para que a violência seja associada consciente ou inconscientemente ao ser homem. É “normal e natural que os homens maltratem suas mulheres, assim como que pais e mães maltratem seus filhos, ratificando, deste modo, a pedagogia da violência” (SAFFIOTI, 2005 p.74.). A masculinidade herdeira dessa cultura influencia diretamente no desejo de controle sobre as mulheres e de reafirmação da superioridade do homem para com elas, ferindo a relação de isonomia que deve existir em uma sociedade democrática, com isso notamos o crescimento acelerado das taxas de violência, em particular as de homicídio entre jovens do sexo masculino, devido as relações de gênero impostas pela sociedade e também a escassez do acesso aos direitos econômicos e sociais para a população de baixo poder aquisitivo, o homicídio tornou-se a principal causa de morte de adolescentes Brasil. A violência letal que a tinge os jovens, nas suas mais diversas manifestações, tem relação com a questão de gênero que vai trabalha-se com o conceito de violência, além das agressões físicas, procurando assim apresentar dados de suas mais diversas faces. As expressões de violência entre as pessoas do sexo masculino têm suas raízes na masculinidade tradicional herdeira da cultura patriarcal e da ideologia androcêntrica.

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Publicado

01/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade