“WAKANDA FOREVER”: O ECO DA CULTURA NEGRA E AFRICANA DO FILME “PANTERA NEGRA” NA VIDA DE JOVENS DE ESCOLAS PÚBLICAS DE JOÃO PESSOA-PB

Autores

  • José Jonas Mangueira da Silva
  • Kynara Eduarda Gonçalves Santos
  • Maria Suely Paula da Silva

Palavras-chave:

Pantera Negra. Representatividade. Negritude. Jovens. Cultura Negra

Resumo

A tevê e o cinema, e com o advento da tecnologia, a internet, são importantes influências na forma em que se constitui a sociedade. Nesses meios de comunicação e de arte, há várias representações da realidade e dos sujeitos nela presente, entretanto, as minorias vieram sendo recorrentemente apresentadas de forma caricata, estereotipada e rebaixadas ao título de coadjuvante e/ou figurantes, estando ali apenas para uma tentativa de representatividade. Em concordância com esse pressuposto, é que percebemos na história do cinema diversas tentativas de denegrir a imagem da população negra, principalmente se colocarmos como objeto de observação o cinema norte americano que demonstrou isso em diversos filmes. No cinema, nas músicas, na tevê e na literatura brasileira não é diferente, há durante os anos diversas representações grotescas e estereotipadas como o negro fujão, servo do homem branco, ladrão, estuprador, feio, barraqueiro, etc. Ademais, conseguem transformar características boas em ruins, o que é algo importante e único na população negra brasileira e africana é representado como ações de vagabundo, macumbeiro (como algo ruim), são exemplos disso o bom humor, o samba, o candomblé, entre outros. Essas más representações acabam por colocar uma má visão na população e cultura negra na vida real, fora das tevês, dos textos, das músicas e das telas de cinema. Consequentemente cria preconceitos e estereótipos na mente da população em geral, e principalmente afeta o autoconceito da população negra, internalizando preconceitos com a intenção de não quererem estar iguais àquelas representações da mídia e, muitas vezes, isso leva a negarem sua cultura e sua estética. Esse fenômeno de internalização dos estereótipos representados é intensificado quando pomos como objeto de estudo crianças e adolescentes negros que estão passando pelo desenvolvimento de sua identidade moral, social e cultural. Ao analisarmos os atuais mecanismos de entretenimento que crianças e adolescentes consomem em modo geral, percebe-se que entre eles estão os filmes e animações de super-heróis, além de toda a cultura geek e japonesa (os mangás e os animes, principalmente). É inegável que a maior produtora de filmes de super-heróis baseada em histórias em quadrinhos é a Marvel Cinematic Universe (MCU), que produz os seus filmes baseados nas revistas da editora de mesmo nome, Marvel. Ela vem tendo muito destaque e tem ganhado muita importância no mercado cinematográfico nessa sua primeira década no cinema (2008-2018). Apesar disso, pouquíssimos personagens negros tinham destaque, até o ano de 2016 somente haviam Nick Fury e Sam Wilson (Falcão) e nenhum até então teve a oportunidade de mostrar sua negritude, nem a cultura negra e africana de forma relevante pois os dois eram apenas coadjuvantes e degraus para o brilho dos heróis principais. Porém, isso mudou em 2016 com a estreia de Capitão América: Guerra Civil e nele a introdução do Pantera Negra, herói negro e africano da marvel que tem importante destaque no cinema e nas HQ’s. Em fevereiro de 2018 o primeiro filme solo de um herói negro do MCU, Pantera Negra, o filme se tornou a 9° maior bilheteria do cinema internacional na história arrecadando US$1,342.5, também é o único filme solo de super-herói no TOP 10 de bilheterias mundiais, além de ser um sucesso em crítica. Tamanho sucesso justifica-se pela representatividade negra contida na obra, não só nos personagens, mas também na montagem dos cenários, trilha sonora e enredo. Neste artigo, portanto, nos propomos a analisar essa obra cinematográfica em seus mais distintos quesitos, inclusive em seu marketing, para esmiuçar e entender toda a produção política e emblemática no filme. Além disso, nossa pesquisa busca investigar como jovens e adolescentes, de idade entre 13 e 18 anos, de diversas etnias, se sentem ao assistir o filme, e examinar se a obra aumenta a autoestima e o autoconceito dos alunos negros e pardos, traz mais empatia e respeito por parte dos colegas brancos para os indivíduos negros e sua cultura. Também buscamos entender quais são as referências de personagens fictícios e reais de personagens negros e negras da cultura pop do alunado, qual é o nível de autoestima e autoconceito dos indivíduos negros e pardos brasileiros e sua identificação com a cultura. Para alcançar estes objetivos, escolhemos quatro escolas do ensino público de João Pessoa - Paraíba, sendo duas de ensino fundamental e duas de ensino médio. Por causa da classificação etária do filme, escolhemos alunos pertencentes ao 8° ano até o terceiro ano do ensino médio. Utilizamos o método de pesquisa qualitativa na exibição dos filmes, em dinâmicas, debates e oficinas. Nossos resultados corresponderam ao esperado e superaram nossas expectativas, neste
trabalho iremos relatar todo o projeto e os resultados, discutindo a importância da representatividade cultural e estética da negritude no autoconceito de jovens e sua influência na cultura.

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Publicado

01/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade