A ANÁLISE DA AVERSÃO FAMILIAR A INDIVÍDUOS LGBTQ: UM ESTUDO DE CASO.

Autores

  • Gessé Gabriel de Almeida Silva
  • Fernanda Raquel da Costa Agra Amaral
  • Alexandre Santos Lima

Palavras-chave:

Família. Repulsa. LGBTQ. Homofobia.

Resumo

O Brasil é o país com maiores casos de homicídios cometidos contra indivíduos com sexualidade diferente do padrão social. A cada 25 horas um LGBTQ+ é morto no brasil vítima da homofobia, decorrente de uma cultura empregada na sociedade brasileira e que é disseminada por muitas de suas gerações. A homofobia é uma série de atitudes de rejeição e repulsa à homossexualidade e à comunidade LBGTQ+ como um todo que está sendo recorrente nos últimos anos, tivemos casos que repercutiram nacional e internacionalmente como por exemplo os casos de Dandara, e o do jovem Itaberli, 17 anos, que foi morto a facadas pela própria mãe. Itaberli sofria de um tipo específico de homofobia, aquela que é feita dentro de casa. Essa violência é expressa de várias formas: física, verbal e/ou psicológica, no entanto é a que mais afeta o indivíduo, uma vez que ele se vê sendo ferido por quem esperava ser consolado. A agressão ocorre pois a família, ou membros dela, discordam e sentem repugnância do sujeito por conta de sua orientação sexual, o tipo de atração sexual que ele ou ela sente por determinado(s) sexo(s), ou pelo seu gênero, pela forma que o indivíduo se sente e se demonstra para a sociedade. É importante saber que gênero e orientação sexual são diferentes, mas ambas são pré-estabelecidas ao indivíduo assim que ele nasce por meio de seu sexo biológico, e, como já dito, quando este se torna destoante da normatividade, ele se torna alvo de agressões por parte da sociedade e da família. Tendo isso tudo como pressuposto, é importante ressaltar que o indivíduo com orientação sexual ou gênero diferente do é considerado padrão para sociedade quando se assume para a família está suscetível a diversas reações porém, infelizmente, a mais comum é a aversão familiar o que leva a família a procurar igrejas e/ou psicólogos com o intuito de “curar” os seus filhos, ou pior, os expulsam de casa deixando-os muitas vezes nas ruas passíveis de violências externas, drogas, prostituição, fome, etc. As causas dessa aversão podem ser diversas e distintas, sendo em suma a diferença de educação e do processo de construção do indivíduo nas gerações passadas e na atual visto que a família, a escola e a igreja eram os principais meios de socialização dos indivíduos e estas eram permeadas pelo preconceito e discriminação. Todavia, muito ainda se discute sobre as causas dessa repulsa e nosso trabalho surge com o intuito de complementar o debate do assunto em questão, objetivando perquirir as causas dessa aversão de forma específica, como ela se constrói, se constitui e se desdobra nas famílias dos indivíduos LGBTQ+. Para cumprir com os objetivos, escolhemos cinco jovens que se consideram pertencentes a comunidade LGBTQ+ (especificamente jovens gays, lésbicas e pessoas trans) para fazermos um estudo de caso investigando seus relacionamentos com suas famílias e suas experiências, não só pondo o indivíduo não heteronormativo como objeto de pesquisa, mas também conversando com suas famílias, quando estas se viram dispostas a serem entrevistadas. Ademais, fora utilizado o processo metodológico de pesquisa qualitativa, que se caracteriza por dar atenção aos sentimentos e à subjetividade dos indivíduos pesquisados, para uma melhor compreensão do assunto e mais certeza nos nossos resultados. Obtemos constatações que nortearam este trabalho, pois elas nos fizeram repensar a função da família como um mecanismo de socialização e de construção da identidade do sujeito, principalmente este sendo participante de uma minoria que tanto sofre diariamente, como a comunidade LGBTQ+; e o quanto o eco da cultura e pensamento do passado afetam os dias de hoje.

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Publicado

02/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade