A (IN) VISIBILIDADE DAS MULHERES NO MUNDO DO TRABALHO

Autores

  • Suzy Kamylla de Oliveira Menezes

Palavras-chave:

Gênero. Divisão sexual do trabalho. Direitos humanos

Resumo

Dentro da Educação em Direitos Humanos e Diversidade um dos eixos fundamentais é a discussão sobre gênero. Historicamente, as mulheres têm sido um dos grupos mais atingidos pela dinâmica excludente e predatória no mundo do trabalho na sociedade capitalista. Contemporaneamente, as formas de organização da produção têm gerado condições de trabalho cada vez mais precárias e flexíveis. Um processo árduo de lutas levou as mulheres a conquistarem espaços importantes para buscarem seus direitos, contudo ainda são visíveis os desafios para que esses sejam respeitados. Este trabalho tem o intuito de propor uma reflexão sobre a participação das mulheres no mundo do trabalho na perspectiva das relações de gênero dentro da lógica capitalista. O objetivo é discutir sobre a força de trabalho feminino na sociedade capitalista dentro da perspectiva de gênero, onde é evidenciada a divisão sexual do trabalho e como essa coloca as mulheres em situações de trabalho precarizadas e opressivas. Debater sobre os direitos das mulheres é uma das temáticas inseridas nos direitos humanos, nessa perspectiva é importante a compreensão da trajetória das mulheres em suas lutas pela conquista e ampliação de direitos, bem como a reflexão crítica sobre os mesmos. Como estratégia de pesquisa, foi realizada pesquisa teórica bibliográfica. Pode-se notar que ao longo de um processo histórico na nossa sociedade a incorporação do trabalho feminino foi realizada como meio de absorver força produtiva considerada mais barata. A princípio o trabalho das mulheres era restrito apenas a trabalhos considerados “femininos”, contudo dentro das indústrias o trabalho das mulheres também passou a ocupar atividades que eram predominantemente ocupadas por homens. Nesse sentido, o incremento expressivo da força de trabalho proporcionado pela presença feminina caracteriza um traço marcante nas transformações no interior da classe trabalhadora. As mulheres adentraram no mundo do trabalho, contudo ainda lhes cabiam/cabem as atividades reprodutivas e o cuidado com os membros da família. As consequências da maternidade na vida das mulheres influenciam a visão sobre essas no mercado de trabalho. Tal visão vai influenciar as oportunidades de acesso ao trabalho, o tipo e condições em que esse se desenvolve. Um amplo processo de assimilação sobre os papéis socialmente atribuídos aos gêneros configurou as formas como as sociedades se desenvolveram. Essa realidade não ocorre homogeneamente, mas em diferentes sociedades e contextos sociais predomina a visão subalternizada e limitada sobre quais comportamentos caracterizam masculino e feminino. Nessa ótica, tira-se proveito da diferença biológica entre os sexos, ou seja, entre o corpo masculino e o feminino (diferença anatômica entre os órgãos sexuais) como justificativa natural da diferença socialmente construída entre os gêneros e da divisão social do trabalho. Atualmente, podemos perceber mecanismos que emitem fortes mensagens subliminares para desestimular as meninas a buscarem uma carreira em profissões marcadamente masculinas. Um desses são os próprios brinquedos onde os que são atribuídos para as meninas instigam o cuidado com a família e atividades domésticas (panelinhas, bonecas, maquiagem, etc.), ao contrário dos disponíveis para os meninos, que estimulam sua curiosidade e técnicas sendo atraídos por carros, esportes e exercitam sua agressividade e força. Podemos compreender que as relações de força não se dão apenas na dominação física, mas na maneira como os indivíduos pensam e aceitam a realidade. As relações de trabalho são construídas e moldadas a partir de complexas relações sociais. Desse modo, destrinchar a realidade para entender a raiz de determinadas situações é uma tarefa que exige um olhar crítico sobre o discurso que está posto dentro da sociedade. Conclui-se que essa realidade tem como base um amplo processo de naturalização e subordinação da mulher determinando a divisão sexual e social do trabalho de modo a garantir a reprodução social e contribuir para os interesses do capital. Diante do aparente avanço em relação a inserção das mulheres no mundo do trabalho, ainda há diversas situações em que essas têm seus direitos violados, sua força de trabalho explorada e suas capacidades e habilidades subestimadas. Na perspectiva dos direitos humanos, a incorporação da discussão da categoria de gênero é fundamental para que uma nova sociabilidade seja construída. Dentro da nossa sociedade muitos estereótipos ainda estão presentes reiterando uma visão conservadora da realidade de dominação dos corpos. Essas concepções são fruto de um amplo processo histórico que determinou o que seria adequado para caracterizar feminino e masculino. A partir dessas visões de mundo a divisão social e sexual do trabalho reflete as bases da lógica capitalista. Dessa forma, a dominação de gênero se instala pelas mais variadas vias, dentre elas a inculcação de diferenciação dentro das profissões com base no gênero.

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Publicado

02/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade