A VIOLÊNCIA CONTRA A JUVENTUDE NEGRA E O SEU ENFRENTAMENTO ATRAVÉS DE POLÍTICAS PÚBLICAS

Autores

  • Marília Sarmento Bezerra
  • Josânya Karollyne da Silva Alves
  • Vanessa da Silva Pitombeira

Palavras-chave:

Violência. Juventude. Gênero. Classe. Raça. Políticas Públicas

Resumo

O presente artigo tem como objetivo trazer para debate o fenômeno da violência e sua letalidade contra os jovens negros do sexo masculino, no Brasil, e a omissão do Estado em promover políticas públicas que de fato contribuam para a prevenção e enfrentamento dessa problemática que vitima todos os anos, no país, milhares de jovens com o mesmo perfil. Tratando o conceito de violência, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS,2012), é o uso da força física, em ameaça ou na prática, diante de outro indivíduo, contra si próprio, ou até mesmo a um grupo, cujo, resulte em mortes ou qualquer sofrimento psicológico. O conceito de violência não se refere tão somente a violência que possa gerar óbito mas, também, aquelas que geram transtornos psicológicos, pois é levado em consideração sua totalidade. A partir de um estudo exploratório bibliográfico e documental discorre-se inicialmente sobre o conceito de violência e suas tipologias com base em Krug(2002) e Minayo(2009) enfatizando as consequências desse fenômeno para população jovem, negra e do sexo masculino no Brasil. Em seguida, apresenta-se o conceito de juventude com base em Teixeira (2010) e a particularidade da juventude negra demonstrando historicamente como o racismo institucional e estrutural tem um papel primordial na criminalização e extermínio dessa parcela da população. Para compreender a instituição do racismo no Brasil, além de se remeter ao passado escravista é necessário também fazer uma análise de como a história da sociedade brasileira foi escrita e reproduzida para as seguintes gerações. Vê-s que as condições a qual estão expostos os jovens como alvo principal da criminalização da pobreza em todo o país e como a sua naturalização evidencia e reafirma a face racista que é alimentada diariamente pela grande mídia tradicional. O cenário alarmante do extermínio da juventude negra comprova que os casos de violência a esta parcela da população não acontece de forma isolada, pelo contrário, são contínuos, agravados e silenciados. A juventude passou a ter espaço na agenda pública a partir do reconhecimento dos seus direitos por meio de políticas públicas para juventude, entretanto a questão é que se estas políticas fossem efetivas não haveria tanta morte de jovens com a clivagem de gênero, raça e classe social. O Plano Juventude Viva( PJV), que foi referência para o estudo, apesar de propostas vanaçadas no ãmbito de políticas para juventude pouco impactou na vida de jovens em situação de vulnerabilidade, na medida em que não diminuiu o índice de violência letal de jovens homens, negros, empobrecido. Veja-se que os dados do Mapa da Violência 2016 revelam que morrem 2,6 vezes mais negros que brancos vitimados por arma de fogo.

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Publicado

02/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade