AS MARCAS DA COLONIZAÇÃO NA CULTURA INDÍGENA DA TRIBO TABAJARA NO MUNICÍPIO DO CONDE-PB

Autores

  • Kynara Eduarda Gonçalves Santos
  • Maria Suely Paula da Silva
  • José Jonas Mangueira da Silva

Palavras-chave:

Colonização. Cultura. Tabajaras. Tribo Indígena.

Resumo

A história sempre foi contada do olhar do povo vencedor, desde os tempos antigos até o século XX, descartando, portanto, a história e as dores do povo que não era uma grande civilização do reino antigo, que perdia nas guerras, que era colonizado. Em 1500, Pedro Álvares Cabral e suas caravanas que partiam de Portugal encontraram terras que posteriormente seriam chamadas de Colônia do Brasil do Reino de Portugal, com a chegada da Corte do rei João VI. Lá, encontraram povos que foram considerados selvagens e que necessitavam serem civilizados e essa missão era dos portugueses. Desde então, os povos, que ficaram conhecidos como indígenas (pois os portugueses pensavam terem chegado às Índias), sofreram demasiadamente com a colonização e, sua cultura tornou-se cada vez mais vista como algo não-civilizado, os povos da terra de Vera Cruz foram silenciados pela história, e perderam terras que antes eram de seu domínio. Ao longo dos anos, a cultura indígena foi se extinguindo/mesclando com a chegada dos portugueses, a língua oficial passou a ser o português e as comunidades tiveram que se adaptar ao modelo que os portugueses estabeleceram como correto, com novas tradições, religiões, organização política, social, educação e línguas. Sabendo disso, escolhemos a tribo tabajara para análise dessas mudanças culturais, com o objetivo de estudar a tribo e os costumes que prevalecem, a referida aldeia está localizada no litoral sul da Paraíba. Os Tabajaras firmaram uma aliança com os colonizadores portugueses e colaboraram na fundação da capitania da Paraíba, este grupo possui um histórico de migrações devido aos inúmeros conflitos de terra desde o período colonial. Atualmente, eles habitam pequenos povoados, e ainda lutam pelo reconhecimento de sua ancestralidade e identidade como Tabajaras, pois sendo reconhecidos, seus constantes conflitos por terra diminuiriam, pois o Governo Federal concederia as terras que pertencem primordialmente aos indígenas, como prevê o art. 231 da Constituição Federal de 1988. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário, existem atualmente 1296 terras indígenas no Brasil, já incluindo as terras demarcadas. O grupo escolhido para análise, os Tabajaras, as terras ainda hão de ser identificadas para demarcação, mesmo com a ausência de locais fixos e miscigenação este povo ainda resiste em relação à cultura. O presente trabalho tem o intuito de estudar a cultura indígena, mais necessariamente da tribo tabajara, avaliar que mesmo com a escassez de tribos indígenas, territórios e por serem obrigados a adaptar-se aos costumes dos colonizadores, os indígenas apresentam cada vez mais dificuldades de preservar o que é mais importante para um povo: a cultura, pois apresentam um grau de diversidade, envolvendo arte, crenças, hábitos, costumes, entre outros, e trazendo para a sociedade um conhecimento e riqueza de cada etnia. A falta de demarcação de seus territórios dificulta na realização de seus costumes, crenças e na sua própria organização política e social. Contudo, a cultura ainda está viva, mas com marcas da civilização e miscigenação deste povo. Para a realização do estudo, adotamos a pesquisa bibliográfica e documental, entrevista e observação in loco, visando o estudo de que os nativos continuam aprendendo sua língua oficial, o tupi, e que continuam realizando seus ritos, crenças, festas tradicionais, danças, músicas, pinturas e sua forma de trabalho. Ademais, o turismo é uma atividade que colabora para a preservação das tradições e para o desenvolvimento de uma localidade, e funciona como uma renda extra através da venda de seus artesanatos, valorizando a autoestima do povo indígena, visto que os turistas procuram uma imersão e vivência na sua cultura, o que contribui para a perpetuação de alguns valores da cultura, que embora sejam miscigenados, ainda existe e resiste.

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Publicado

02/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade