AS NUANCES DA REPRESENTAÇÃO MIDIÁTICA DA MULHER COMO INFLUÊNCIA PARA A SOCIEDADE: UMA ANÁLISE DE COMO O CINEMA RETRATA AS HEROÍNAS VIÚVA NEGRA E MULHER MARAVILHA

Autores

  • Fernanda Raquel da Costa Agra Amaral
  • José Jonas Mangueira da Silva
  • Alexandre Santos Lima

Palavras-chave:

Representatividade feminina. Heroínas. Viúva Negra. Mulher Maravilha. Cinema.

Resumo

Diante do atual contexto social, onde constatamos grandes diferenças e preconceitos de gênero, a imagem da mulher vem sendo moldada, mudando de acordo com os padrões vigentes na sociedade, e essa se encontra na maioria das vezes como sujeito secundário, resultado de uma cultura patriarcal e machista e isso se repercute nos vários meios midiáticos, inclusive no cinema. Tendo isso em vista, e que atualmente é de grande repercussão e bilheterias os filmes de super-heróis, é de extrema importância o estudo sobre a participação feminina como heroína em filmes e de que forma o cinema as representa. Nos filmes de heróis atuais, a heroína está na maioria das vezes com papel secundário, como coadjuvante, sem muita importância, e o foco é sempre voltado para os heróis. Além disso, a erotização da mulher é um dos principais problemas pois em muitos filmes a importância de sua imagem é decorrente de sua beleza e sensualidade, o que fixa mais ainda o padrão estético gerado e esperado pela sociedade. Essas representações produzem impactos negativos, criando a ideia de que a mulher não pode ter um papel de destaque na cultura pop e na sociedade em geral, ela será apenas um degrau para o estrelato masculino. Para, então, verificar a forma que os grandes estúdios cinematográficos do gênero retratam suas personagens, escolhemos duas heroínas das principais editoras de Histórias em Quadrinhos dos Estados Unidos e do mundo: a Viúva Negra, que começou a aparecer no cinema em 2010 e a Mulher Maravilha (2017). Utilizamos, portanto, como formas de se avaliar os filmes a pesquisa qualitativa e o teste de Bechdel, que é um importante indicador de representação feminina na sétima arte. Segundo o teste, o filme precisa cumprir três regras: ter duas personagens com nome; ao menos uma cena em que conversam entre si; e o diálogo não pode ser sobre homem. Ademais, foi feita uma pesquisa bibliográfica em artigos, livros e outros tipos de textos sobre o tema em questão para uma melhor definição e análise, além de um estudo sobre a estética do cinema. Obtemos resultados que já esperávamos e mesmo assim nos surpreendeu pois apesar de terem muita importância na autonomia feminina, alguns filmes não atenderam às regras do teste Bechdel. Também é necessário ressaltar que os estereótipos romantizados relacionados a Viúva Negra dificultaram o foco à personagem, interessante, e cheia de habilidades, que ela realmente é. Isso nos faz pensar no fato da Espiã ainda não ter um filme solo, por mais que a ideia já esteja proposta, já faz 8 anos que sua personagem foi lançada nas telas do cinema. O mesmo acontece com a Mulher Maravilha, a personagem Diana, que foi lançada em 1942 nas Histórias em Quadrinhos (HQs), mas demoraram 75 anos para o lançamento de seu filme, tornando-a a primeira heroína a ganhar um filme solo. Fazendo uma comparação com os personagens masculinos isso é bem diferente, pois a cada década são estrelados inúmeros filmes com o protagonismo de Super-Heróis. Portanto torna-se necessário evidenciar as influências que o cinema exerce na sociedade e na representatividade feminina. Todavia é significativo realçar a importância de uma heroína nos dias atuais para o cinema e para a sociedade pois as heroínas contribuem para o empoderamento feminino, e se a indústria cinematográfica produzir filmes com visibilidade feminina, auxiliará na luta contra as representações negativas que existem sobre a mulher.

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Publicado

02/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade