ASSÉDIO SEXUAL NO CONTEXTO UNIVERSITÁRIO: PRODUZINDO SENTIDOS SOBRE NOTÍCIAS VEICULADAS NA INTERNET

Autores

  • Marina Borges Teixeira

Palavras-chave:

Violência contra as mulheres. Assédio sexual. Contexto universitário

Resumo

Este artigo visa compreender os sentidos produzidos por notícias veiculadas em portais da internet acerca do assédio sexual no contexto universitário, com recorte para aquelas notícias relacionadas à região nordeste. Especificamente, se pretende a identificar repertórios linguísticos usados por essas notícias ao se referirem ao assédio sexual no contexto universitário e compreender os sentidos produzidos por elas acerca das pessoas vítimas. Para tanto, realizou-se uma pesquisa documental a partir de um levantamento em portais da internet. Mais especificamente no Google, levando em conta as notícias posteriores à Campanha realizada pelo Instituto Avon, em dezembro de 2015, considerada um marco na temática do assédio sexual no contexto universitário. A pesquisa documental identificou 76 documentos/notícias sobre o tema, sendo que 19 delas estavam relacionadas a notícias veiculadas na região nordeste, às quais foram analisadas aqui. Este artigo se propõe a pesquisar a temática do assédio sexual no contexto universitário, a partir de uma aproximação com as questões de gênero, com destaque para o impacto da violência contra as mulheres (VCM) no cotidiano da sociedade, incluindo o contexto universitário. O interesse pelo tema se deu pois, na última década, a temática da violência contra as mulheres vem sendo discutida com mais frequência no Brasil e no mundo. Mas, apesar de cada dia mais fazer parte das rodas de conversas em diferentes espaços, principalmente nas universidades, as instituições de ensino superior parecem ainda não possuir uma política de enfrentamento da violência de gênero e de responsabilização das pessoas autoras do assédio. Nesse sentido, a partir da Campanha realizada em 2015, pelo Instituto Avon, a questão da violência contra as mulheres no contexto universitário brasileiro começa a ganhar visibilidade e a demandar de pesquisadoras e estudiosas do tema a realização de investigações e de ações que demandem, especialmente das gestões das universidades, a garantia de um posicionamento ético-político e institucional frente ao enfrentamento do tema. Os resultados destacam que a pesquisa apresentada neste estudo mostra como a violência contra as mulheres está presente em todos os ambientes e instâncias da sociedade, tanto públicos como privados, e que o problema não é fácil de ser resolvido por diversas questões. Além de ações educativas, com o objetivo de combater estereótipos e desigualdades de gênero, são necessários instrumentos legais para assistir, proteger e assegurar a integridade das mulheres em situação de violência, independente de onde e como essa violência ocorreu. Também parece necessário considerar essa discussão desde a perspectiva da interseccionalidade, ou seja, compreendendo quem são essas pessoas que estão sendo vítimas de violências no contexto universitário não somente desde o marcador de sexo/gênero, mas também de cor/raça, geração, orientação sexual e identidade de gênero. É importante, portanto, ampliar as parcerias intra e interinstitucionais de enfrentamento ao tema, realizar pesquisas que tratem do tema, dialogar com os movimentos feministas e de mulheres e visibilizar o tema nas mídias de modo crítico, complexo e situado a fim de evitar a revitimização das vítimas e a reprodução de valores e ideias machistas, racistas, heteronormativas frente à violência. O contexto universitário precisa, portanto, assumir esse tema como prioridade e criar mecanismos de proteção e enfrentamento das violências contra as mulheres no seu interior e dialogando com o exterior, com destaque e para as ações de prevenção ao machismo, racismo, LGBTfobia e outras formas de desigualdade.

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Publicado

02/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade