DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS DE MULHERES QUE FAZEM SEXO COM MULHERES

Autores

  • Mariana Alice de Oliveira Ignacio
  • Ana Paula Freneda de Freitas
  • Marli Teresinha Cassamassimo Duarte

Palavras-chave:

Direitos Sexuais e Reprodutivos. Homossexualidade Feminina. Saúde Sexual e Reprodutiva

Resumo

Constituem-se direitos sexuais e reprodutivos: o direito das pessoas decidirem, de forma livre e responsável, se querem ou não ter filhos, quantos filhos desejam ter e em que momento de suas vidas; o direito de exercer a sexualidade e a reprodução livre de discriminação, imposição e violência; o direito de viver plenamente a sexualidade sem medo, vergonha, culpa e falsas crenças, dentre outros (BRASIL, 2013). A Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) traz como objetivos mecanismos de gestão para demandas e necessidades em saúde dessa população, oferecendo assistência integral no âmbito das infecções sexualmente transmissíveis (IST), com ênfase ao HIV/aids e hepatites virais a fim de garantir os direitos sexuais e reprodutivos dessa população (BRASIL, 2011). Neste sentido, considerando-se que as mulheres que fazem sexo com mulheres (MSM) têm dificuldades desde o acesso aos serviços de saúde até a concretização dos cuidados (CARVALHO; PHILIPPI, 2011) o objetivo deste estudo foi analisar aspectos da saúde sexual e reprodutiva de MSM. Método: Trata-se de estudo descritivo que integrou a pesquisa: "Acesso a serviços de saúde e saúde sexual e reprodutiva de mulheres que fazem sexo com mulheres". Foram incluídas no estudo 150 MSM, acima de 18 anos, com atividade sexual prévia, residentes em municípios do interior paulista, que atenderam ao convite divulgado nas várias mídias ou por seus contatos sociais. Os dados foram coletados por meio de entrevista pautada em instrumento previamente validado, contendo questões abertas e fechadas, de janeiro de 2015 a abril de 2017 e analisados por estatística descritiva. O projeto desta pesquisa foi submetido e avaliado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FMB-UNESP e recebeu Parecer favorável (no. 820.717) em 06/10/2014 e recebeu apoio da FAPESP: Processo 2015/14769-0. Resultados: As mulheres se encontravam na faixa etária de 20 a 49 anos (83,3%), a maioria era branca (74,7%), solteira/separada/viúva (73,3%) e com mediana de anos de estudo de 12 (5-25). A maioria (83,4%) das mulheres investigadas utilizava o serviço público de saúde, sendo o principal motivo de procura do mesmo o adoecimento ou sensação de algum desconforto (70,0%). A procura para ações de prevenção foi relatadas por apenas 23,0% das participantes. Quase a metade das mulheres (47,0%) não revelava ser MSM quando procurava um serviço de saúde e 5,2% relatou a falta de preparo do profissional de saúde para atender MSM. Considerando a saúde sexual e reprodutiva das mulheres investigadas, observou-se que menos da metade delas (45,3%) realizava atendimento ginecológico anual, pouco mais de um terço (36,6%) estava com o papanicolaou em dia, 46,7% nunca tinham realizado sorologias para IST/aids e 47,0% tinham diagnóstico positivo para IST. Quanto ao comportamento sexual, 82,0% negou o uso de preservativos durante as relações sexuais e 71,0% referiu relação sexual após o consumo de álcool e/ou drogas ilícitas. Conclusão: As MSM têm baixa procura dos serviços de saúde para atividades de prevenção, e assim, suas necessidades específicas de saúde sexual e reprodutiva podem não de estar sendo identificadas e abordadas pelos profissionais de saúde. Este estudo vem contribuir para o planejamento de ações em saúde voltadas às MSM com vistas ao cuidado integral para que sejam assegurados os seus diretos sexuais e reprodutivos.

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Publicado

02/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade