O arcaico do contemporâneo: Medusa e o mito da mulher

Autores

  • Luiza Helena Hilgert UFSCar/FAPESP

Resumo

O presente artigo tem como objetivo propor que a história de Medusa e Perseu foi utilizada para compor e reforçar uma visão hegemônica do mundo, dos sexos e dos gêneros. Apresento, brevemente, algumas imagens e excertos dos mitos; em seguida, demonstro minha hipótese de que a objetificação da Medusa aconteceu de duas formas, que eu chamei de mito da monstruosidade e mito da beleza. Na sequência, desenvolvo, a partir de excertos teóricos, os papéis dos
mitos na construção da subjetividade e do lugar da mulher na concepção de Simone de Beauvoir. Depois, procuro aproximar alguns acontecimentos comuns do mito da Medusa com o que se passa nos dias de hoje: cultura do estupro, rivalidade feminina, isolamento das vítimas de violência, gravidez do estupro, silenciamento. Por fim, proponho a reconsideração, o deslocamento e a subversão da interpretação dos personagens de Medusa e de Perseu sob um olhar descolonizado e desmasculinizado.

Biografia do Autor

Luiza Helena Hilgert, UFSCar/FAPESP

Pós-Doutoranda em Filosofia (UFSCar/FAPESP)

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Publicado

17/12/2020