CONTROLE DE Aspergillus welwitschiae E DA PODRIDÃO VERMELHA COM RESÍDUO LÍQUIDO DO DESFIBRAMENTO DAS FOLHAS DE SISAL

Autores

  • RAFAEL MOTA DA SILVA Engenheiro Agrônomo (UFRB) Msc. em Microbiologia Agrícola (UFRB) Dr. em Ciências Agrárias (UFRB)
  • Sara Samanta da Silva Brito Engª Agrônoma Drª em Ciências Agrárias Professora substituta da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
  • Cristiano Oliveira do Carmo Universidade Federal do Recôncavo da Bahia CRUZ DAS ALMAS - BA
  • Ana Cristina Fermino Soares Universidade Federal do Recôncavo da Bahia CRUZ DAS ALMAS - BA

DOI:

https://doi.org/10.28998/rca.v17i3.7697

Resumo

Cultura com importante papel socioeconômico para o semiárido nordestino, o Sisal (Agave sisalana Perrine) concentra sua produção no Brasil principalmente no estado da Bahia. Nas últimas décadas, tem ocorrido um decréscimo na produtividade de sisal devido à ocorrência da doença podridão vermelha causada pelo fungo Aspergillus welwitschiae. Objetivou-se no presente trabalho avaliar o potencial do resíduo oriundo do desfibramento das folhas de sisal, fermentado em condições naturais de campo, para o controle de A. welwitschiae e da podridão vermelha, por meio de testes in vitro, em segmentos de caule de sisal e em mudas de sisal. O patógeno foi isolado de plantas de sisal com sintomas da doença de uma área de produção de sisal no município de São Domingos – BA, foi avaliado o potencial de inibição do crescimento micelial e esporulação de A. welwitschiae em meio de cultura BDA contendo a calda nas concentrações de 0%, 25%, 50% e 75%, e em segmentos do caule do sisal e mudas a calda foi avaliada nas concentrações 0, 25, 50, 75 e 100%. A calda do resíduo líquido do desfibramento das folhas de sisal causou inibição do crescimento micelial do A. welwitschiae de 89,8% e 100% nas concentrações de 50% e 75%. Em disco de caule de sisal a calda promoveu o controle da esporulação do A. welwitschiae nas concentrações de 25%, 50%, 75% e 100%. Em mudas de sisal, a calda reduziu a severidade da doença, mas não promoveu o controle de 100% da doença. A calda do resíduo fermentado de sisal tem efeito tóxico ao patógeno em função do aumento da concentração, atuando no controle de A. welwitschiae e reduz a severidade da podridão vermelha em mudas de sisal.

Biografia do Autor

RAFAEL MOTA DA SILVA, Engenheiro Agrônomo (UFRB) Msc. em Microbiologia Agrícola (UFRB) Dr. em Ciências Agrárias (UFRB)

Engenheiro Agrônomo (UFRB)
Msc. em Microbiologia Agrícola (UFRB)
Dr. em Ciências Agrárias (UFRB)

Sara Samanta da Silva Brito, Engª Agrônoma Drª em Ciências Agrárias Professora substituta da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Engª Agrônoma Drª em Ciências Agrárias 
Professora substituta da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia 

Cristiano Oliveira do Carmo, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia CRUZ DAS ALMAS - BA

Engenheiro Agrônomo (UFRB)
Msc. Ciências Agrárias (UFRB)

Ana Cristina Fermino Soares, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia CRUZ DAS ALMAS - BA

Graduação em Microbiologia e Imunologia, mestrado em Microbiologia e Imunologia - University of Arizona (1990) e doutorado em Produção Vegetal, área de Solos/Microbiologia do Solo
Professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

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Publicado

31/12/2019

Edição

Seção

Proteção de Plantas