Em busca de paisagens habitáveis: ressUrgências de um rio no bairro de Itapuã, Salvador-BA

Autores

  • Arina Borges Vital e Silva Universidade Federal da Bahia
  • Juna Borges Vital e Silva Universidade Federal da Bahia

Palavras-chave:

Paisagem, rio, cidade

Resumo

Sendo fruto dos Trabalhos Finais de Graduação desenvolvidos em conjunto pelas autoras e intitulados Paisagens Indomáveis: encontros nas margens do Abaeté e Cidade-Floresta: retomando territórios de vida em Itapuã, a intenção deste artigo é discutir a relevância dos estudos relativos à paisagem na busca por cidades habitáveis, abandonando as noções de paisagem como plano-de-fundo, um cenário pitoresco para ação humana. Em vez disso, buscamos práticas coletivas e comunais no bairro de Itapuã na cidade de Salvador-BA, nas quais socialidades mais que humanas emergem, e seres tidos como inanimados por muitas vertentes de pensamento, como plantas, rios, mares, pedras e areias, são agentes políticos participando da composição de mundos conosco. Assim, os trabalhos vislumbram o ressurgimento de um rio canalizado no subsolo: o Abaeté, que aflora à superfície através de nascentes e fontes - muitas abertas e construídas por moradores do bairro - e deságua na praia de Itapuã, integrando uma rede de microrrios sistematicamente canalizada nas décadas de 80 e 90 pelas gestões governamentais: uma das marcas dolorosas da urbanização progressista imposta às nossas paisagens. Esta rede é conectada ao ecossistema de lagoas e brejos do maior remanescente de restinga de Salvador que se encontra salvaguardado pela Área de Proteção Ambiental (APA) Lagoas e Dunas do Abaeté e pelo Parque Metropolitano do Abaeté e vem sendo gradativamente engolido pela expansão urbana, nos fazendo refletir os próprios fundamentos das políticas de preservação a fim de pensar alternativas para a vida nas cidades.

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Publicado

29/12/2021