GENÊRO, CLASSE E RAÇA NO QUADRO DA VIOLÊNCIA LETAL DE JOVENS EM ALAGOAS

Autores

  • Janine Kelly Caetano de Souza
  • Diogo da Conceição
  • Elvira Simões Barretto

Palavras-chave:

Violência letal, Gênero, Raça, Juventude, Serviço Social.

Resumo

É irrefutável a gravidade do quadro de violência letal de jovens do sexo masculino, negros eoriundos de bairros empobrecidos, no Brasil. Vê-se esses sujeitos envolvidos em situações de violação de leis e direitos na modalidade de autores ou vítimas de violência. Entende-se que a letalidade da juventude negra tem relação com a busca de responder às expectativas sociais que envolve identidade e posição social  a partir de objetivos pautados nos modelos preestabelecido de ser homem, posição social e relações sociais, advindas do sistema capitalista, androcêntrico, patriarcal. Não se pode atribuir inevitabilidade histórica e/ou naturalização a essas mortes violentas não se deve  a violência de modo geral está relacionada a questões que perpassam a esfera econômica,e social e cultural. Entende-se que as normas fixas de gênero (masculino e feminino) fundamentada pela cultura patriarcal e a ideologia androcêntrica Têm relação com os nexos causais da violência letal de jovens do sexo masculino. Não se perde de vista que os índices de desenvolvimento humano, a qualidade da educação, as condições de vidas e as oportunidades postas às diferentes camadas sociais revelam-se enquanto condicionantes para tais práticas.À luz da trajetória histórica e teórica acerca da juventude, da violência no Brasil, das questões étnico-raciais, de gênero e de classe, debruça-se nos registros documentais sobre o quadro de violência letal de jovens em Alagoas a partir do Boletim Anual da Estatística Criminal de 2016 que traz um balanço dos Crimes Violentos Letais e Intencionais dos anos de 2014, 2015 e 2016, e a partir das informações do Mapa da Violência de 2016. Os resultados ratificam a necessidade de considerar a perspectiva de classe, gênero e raça como primordial para uma apreensão das raízes da violência letal em jovens, os números ajudam a refletir sobre quem são esses indivíduos que morrem a cada dia no Estado onde vivem, qual a condição financeira, ocupação, núcleo familiar, entre outras questões muitas vezes não levadas em consideração, devido a um padrão de normas estabelecidas que traça o perfil  dos indivíduos  que estão envolvidos na dinâmica da violência no cotidiano do estado de Alagoas. Questionar esse processo sem analisar a cultura patriarcal e de gênero, e a injustiça social pela origem de classe social, é a nosso ver inviável, já que quando se trata de alguma problemática social é preciso que seja investigado pela raiz. Nesse sentido, debate-se a fundamental importância que a referida perspectiva seja adotada para o planejamento, implantação e implementação de políticas públicas de prevenção e enfrentamento da violência e a reversão desse quadro de letalidade entre jovens. Diante do exposto, fazem-se necessárias o estudo das múltiplas facetas da violência associada a agravantes externos que levam a prática de tais violações e ações tanto de cunho educativos, de forma a desconstruir paradigmas impregnados com uma cultura patriarcal e androcêntrica, quanto medidas de enfrentamento direto a violência no estado de Alagoas. Dar voz aos jovens e conhecer a realidade em que estão inseridos em um ponto chave para o enfrentamento e desenvolvimento de ações voltadas a promoção de serviços para essa grande massa da sociedade que a cada dia busca uma identidade própria e seu lugar na sociedade.

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Publicado

30/08/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade