“ESCREVO A MISÉRIA E A VIDA INFAUSTA DOS FAVELADOS”: BIOGRAFIA E OBRA DE CAROLINA MARIA DE JESUS.

Autores

  • Érika Cecília Soares Oliveira
  • Letícia Taynara dos Santos Silva
  • Willamys da Costa Melo

Palavras-chave:

Carolina Maria de Jesus. Relações étnico-raciais. Psicologia social.

Resumo

O presente trabalho é fruto de um projeto de iniciação científica, que tem como título: “Pistas de Carolina Maria de Jesus para intervenção psicossocial”, com seu início em agosto de 2017 e término em agosto de 2019. O projeto tem como objetivo principal analisar dois livros de Carolina Maria de Jesus (1914-1977) para produção de um diálogo transdisciplinar. Ademais, irá explanar a vida e a obra da escritora negra, pobre, favelada, mãe solteira e semi-alfabetizada, Carolina Maria de Jesus. Durante esse tempo, buscaremos nos aproximar do território existencial da escritora a fim de compreender o modo como ela produzia a realidade. Além, de discutir questões étnico-raciais baseando-se na epistemologia do pensamento da mesma. Tomando como ponto de partida às obras Quarto de Despejo: diário de uma favelada (1960) e Diário de Bitita (1986). Vale ressaltar que a escritora lançou outros livros durante seu percurso, porém não serão trabalhados aqui, pois temos como preocupação realizar uma leitura atenta das duas obras para fornecer pistas às nossas intervenções psicossociais. Através de sua história, considerando seu contexto social, histórico, político e econômico pretendemos abordar questões sobre temas contemporâneos, a saber: raça, embranquecimento, classe social, desigualdade social, etc. Interessa-nos compreender como Carolina resistia à dominação, visto que ela denunciava um sistema de exploração e desigualdade sociais aos quais permeou durante sua vida. O trabalho contará com a leitura de duas produções que contextualizam a obra da escritora. São elas: Carolina Maria de Jesus: uma escritora improvável (2009) de Joel Rufino dos Santos e Muito bem, Carolina! (2007) de Eliana Moura de Castro e Marília Novais da Mata Machado. Temos o intuito de apresentar a biografia e a obra de Carolina Maria de Jesus, relatando seus feitos, seu percurso e trazer sua literatura para dentro dos espaços acadêmico. Em complemento a este primeiro momento, julgamos relevante compreender como os processos sócio históricos vividos pela autora são explanados pela Psicologia Social brasileira atualmente. Partindo desse pressuposto, realizou-se um levantamento bibliográfico na Revista “Psicologia & Sociedade”, a fim de identificar produções que abordem a temática racial, e seus atravessamentos, de algum modo. Para isso, parte-se da ideia de que enquanto disciplina, campo de produção de saberes e práticas, que tomam como objeto de estudo o indivíduo, não somente em sua singularidade, mas também em sua esfera sociocultural, é de caráter da Psicologia se debruçar sobre questões étnico-raciais, econômicas e sociais, no intuito de contribuir dentro de suas especificidades. O recorte temporal delimitado para a etapa da pesquisa de coleta de dados, ficou compreendido entre os anos de 2007-2017. Os artigos foram analisados tendo em vista o objetivo principal de compreender como a psicologia social brasileira através de suas produções acadêmicas, vem contribuindo para a discussão dos processos supracitados. Direcionando-se como pressuposto uma abordagem histórica que vise entender como os acontecimentos políticos, sociais e ideológicos influenciaram no processo de construção da disciplina, este trabalho foi desenvolvido visando contribuir para a constituição de uma psicologia antirracista. A relevância deste estudo justifica-se principalmente por no contexto atual brasileiro, discussões sobre temas relacionados às questões raciais estarem em pauta e ganhando mais visibilidade, feito que pode ser atribuído ao surgimento de políticas públicas que almejam diminuir as desigualdades raciais, mas não somente a ele. Nesse cenário, as contribuições trazidas a partir do olhar e da vivência de Carolina Maria de Jesus, articuladas ao que se tem produzido no âmbito acadêmico, se fazem necessárias para a compreensão dos principais aspectos formadores da nação brasileira, bem como suas consequências, desde o processo de escravização, abolição, até os dias atuais.

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Publicado

30/08/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade