ESTUDO DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO A PARTIR DAS ÁREAS DO CONHECIMENTO DA ANTROPOLOGIA E DO DIREITO NO DIRETÓRIO DE GRUPOS DO CNPQ

Autores

  • Camila dos Anjos Falcão
  • Amanda Patrícia Santos Lorena de Menezes

Palavras-chave:

Violência de gênero. Direito. Antropologia. Grupo de pesquisa. CNPq.

Resumo

Realiza o mapeamento e análise da configuração do termo “violência de gênero” nas áreas do Direito e do Antropologia no Diretório de Grupos do CNPq. Este trabalho de natureza descritivo-interpretativa é impulsionado para uma busca da compreensão de como essa temática está disposta em grupos de pesquisa nacionais nessas duas destacadas áreas do conhecimento. O argumento utilizado para justificar esse tipo de estudo são os índices alarmantes de violência relacionadas à prática discriminatória, principalmente de gênero e das sexualidades que vão de encontro à lógica heteronormativa vigente. Tem como objetivo mapear o estudo do termo “violência de gênero” dentro do diretório de grupos do CNPq, nas áreas da Antropologia e do Direito, detalhando como esses estudos se inserem nos grupos de pesquisa, configurando de forma histórica e geográfica os grupos disponíveis no diretório, identificando quais os principais meios de violência observados nas linhas de pesquisa dentro dos grupos encontrados na área da Antropologia e uma relação desses estudos com o Direito. Pretende-se conhecer de forma criteriosa dos grupos de pesquisa e seus pesquisadores, descrevendo as instituições em que esses grupos atuam, considerando se essas são públicas ou privadas. Intencionamos, ainda, analisar os líderes pesquisadores e suas áreas de conhecimento e atuação. Verificar as regiões, é importante para fazer um mapeamento dos locais de estudos que mais focam no tema e se essas regiões correspondem com a alto índice de violência destacados nas pesquisas. Outros aspectos que serão analisados no decorrer do artigo serão as linhas de pesquisa, ano de criação e status dos grupos, identificando e fazendo uma análise dos aspectos teóricos e metodológicos das produções publicadas pelos pesquisadores desses grupos de estudo. O método será realizado por meio de cinco fases: Exploração, Cruzamento, Refinamento, Descrição e Interpretação. Na etapa de exploração no banco de dados do CNPq, foram observados 108 grupos em todas as áreas de conhecimento, utilizando apenas os filtros fornecidos pelo próprio diretório. Com a utilização do filtro da área de conhecimento, primeiro Antropologia, foram encontrados oito grupos que tratam sobre o tema, sendo o mais antigo que data de 1992, da Universidade Federal de Rondônia – UNIR. Ao mudar o filtro para a área de Direito, podemos visualizar 14 grupos com a temática. O primeiro estudo das áreas jurídicas foi em 2005. Nessa etapa foram observadas as linhas de pesquisa dos grupos que estejam enquadrados nas áreas descritas e com que apresente o tema na descrição da linha/grupo ou nas palavras-chave. Em sequência será criado um banco de dados próprio para melhor visualização e análise das informações coletadas na pesquisa, a qual será a etapa do armazenamento. E para finalizar, todos os dados serão expostos em planilhas e tabelas para uma visualização dos resultados, mostrando a relação entre as linhas de pesquisa e o tema estudado. A importância do estudo da temática é que o Brasil mostra-se, atualmente, no mapa da violência como o 5º país com maior número de mortes de mulheres e o 1º em relação à morte de travestis e transexuais. Os números são alarmantes e essa percepção sobre violência precisa ser estudada, pois esse quantitativo se refere ao resultado de um crime doloso contra a vida, mas ao analisarmos as agressões, abusos físico e mental, os dígitos das minorias subjugadas aumentam. Além de observarmos uma estatística na qual não é concreta por obter um grande número de abusos que não chegam a ser denunciados, seja por medo ou receio de prejudicar o parceiro ou a família ficar contra a vítima. É importante destacar que a busca da compreensão da violência de gênero se dá a partir de diversas narrativas, nas quais podemos encontrar marco teórico dentro da segurança pública, saúde e também no âmbito jurídico com a criação de Leis, como exemplo, a Lei conhecida como Maria da Penha, que compreendeu uma mudança de paradigma, início de uma discussão específica sobre o tema e não mais uma análise comparativa. A criação dessas leis aumentou o número de grupos de estudos a esse respeito, visto que o primeiro foi formado em 2005 e até o ano de 2017 já existem 14 grupos focados no assunto. Buscamos, através desse trabalho, construir um campo de discussão que entrelace essas áreas do conhecimento para que possamos entender de que forma a violência de gênero tem se configurado dentro da academia, possibilitando unir as visões prática e teórica sobre a temática. Diante do exposto, é importante relatar que a pesquisa ainda se encontra em andamento e algumas análises serão melhor aprofundadas no decorrer das considerações e estudos dos grupos de pesquisa do CNPq, e com isso ter uma melhor compreensão de como, atualmente, se trabalha a matéria de violência de gênero dentro da academia.

Downloads

Publicado

30/08/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade