GÊNERO E PODER: ANÁLISE DO PERFIL DE SERVIDORES E SERVIDORAS QUE OCUPAM CARGOS DE PODER/DECISÃO NO INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS

Autores

  • Danielly Spósito Pessoa
  • Luiz Henrique Ferreira Wanderley

Palavras-chave:

Gênero. Poder. Direitos.

Resumo

Este trabalho se propõe a apresentar reflexões construídas a partir dos resultados do Projeto de Iniciação Científica (PIBIC) “Equidade de gênero: análise do perfil de servidoras e servidores que ocupam cargos de poder/decisão no IFAL” que analisou a forma de como servidoras e servidores ocupam cargos de poder no Instituto Federal de Alagoas (IFAL). Trata-se de um desdobramento de outra pesquisa, com o mesmo caráter de iniciação científica, intitulada “Igualdade de oportunidades entre os sexos no âmbito laboral na Reitoria do IFAL: limites, possibilidades e desafios”, e foi também articulado ao Programa Pró Equidade de Gênero e Raça, sendo o IFAL uma instituição participante da 6º edição, no biênio 2016-2018. O trabalho abordou dois fenômenos decorrentes da desigualdade entre os gêneros no mercado de trabalho, denominados Solo Pegajoso e Teto de Vidro. Os elementos que constituem o primeiro são os trabalhos domésticos que mantêm as mulheres na base da pirâmide econômica. O segundo constitui-se por atitudes, preconceitos e políticas que não se baseiam nas necessidades das mulheres, impedindo assim que as mesmas avancem profissionalmente. A pesquisa teve como objetivo analisar como se configura o perfil dos homens e mulheres que exercem cargo de direção e chefia no âmbito do IFAL. O desenho metodológico abarcou: a) levantamento bibliográfico sobre gênero e igualdade de oportunidades no âmbito laboral, realizado no Portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e também no Scientific Electronic Library Online (SciELO), utilizando os descritores “gênero” and “trabalho”; b) identificação de documentos políticos de domínio público, utilizando como fontes o portal do Ministério da Educação (MEC) e o site da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), com os descritores “desigualdades de gênero no âmbito laboral” e “igualdade de oportunidades”, com publicações produzidas entre os anos de 2013 e 2016; e, c) construção da caracterização do corpo funcional do IFAL, feito com o apoio da Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP), no que se refere à ocupação de cargos de poder/decisão entre mulheres e homens, explorando, de mesmo modo, os elementos: raça/etnia, idade, estado civil, nível de escolaridade, tempo de exercício, órgão de lotação, regime jurídico, formação profissional, função/cargo que ocupa e vencimentos. Tratou-se de uma pesquisa qualitativa que teve como marco teórico-metodológico a perspectiva feminista de gênero, baseando-se nos estudos de Saffioti, Scott e Young, e possibilitou analisar as produções de sentido para os conceitos de gênero e de políticas de igualdade de oportunidades no âmbito laboral – nos documentos e referências levantadas, assim como refletir criticamente acerca da situação laboral dos servidores e servidoras do IFAL. A pesquisa possibilitou a compreensão que embora nossa sociedade tenha avançado em matéria de políticas públicas na área de gênero, ainda é visível que as mesmas oportunidades para homens e mulheres no âmbito laboral continua sendo um caminho necessário a ser percorrido, sendo que este problema é caracterizado pelos fenômenos citados anteriormente, o Teto de Vidro e o Solo Pegajoso, são estes os diversos fatores: a) a licença maternidade; b) a diferença salarial entre homens e mulheres; c) a sexualização de profissões; d) a diferença de índices entre homens e mulheres quanto ao desemprego e precariedade no trabalho; e) a conciliação da vida laboral; f) as duplas e triplas jornadas; e g) o escasso número de mulheres nos cargos de poder e decisão no Brasil. O IFAL, através dos resultados deste trabalho, pôde tornar-se uma instituição pioneira quanto ao combate à desigualdade de gênero no âmbito dos Institutos Federais do Brasil. Isso se deu pela promoção do debate e discussão voltada à equidade dentro da Instituição. Além disso, é também notável que os elementos e subsídios construídos durante a pesquisa contribuem para que o IFAL venha a conquistar o Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça, da Secretaria de Política para Mulheres.

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Publicado

30/08/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade