IDENTIDADE, GÊNERO E RESISTÊNCIA: UMA ANÁLISE SOBRE AS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU

Autores

  • Mariana Medeiros Bastos
  • Giovana Nobre Carvalho

Palavras-chave:

Quebradeiras de coco babaçu. Feminismo. Interseccionalidade.

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo analisar o contexto de opressão em que as quebradeiras de coco babaçu estão inseridas, este que só consegue ser alcançado através de uma perspectiva interseccional do feminismo, ou seja, uma análise que compreenda a opressão de gênero, classe e raça incidindo sobre um mesmo grupo. Esta pesquisa se pautou em análises bibliográficas de obras que tratam sobre as questões de feminismo, gênero, raça, classe e etnia, tais quais: Kimberlé Crenshaw, Djamila Ribeiro e Sueli Carneiro. Discutir-se-á que somente na terceira onda do feminismo, o movimento compreende que não há como falar em uma categoria “mulher” de maneira singular, como se todas sofressem o mesmo nível de opressão, ignorando as diferenças existentes de mulher para mulher. Esta fase nos mostrará, então, que cada uma está inserida em contextos socioeconômicos, culturais e históricos específicos e que, portanto, sofrem opressões próprias advindas de tais circunstâncias, como é o caso das quebradeiras de coco babaçu. É neste cenário, percebendo os vários feminismos existentes dentro de um mesmo movimento, que será discutido o conceito de interseccionalidade, cunhado por Kimberlé Crenshaw ao dizer que, esta busca chega até as consequências estruturais da interação de vários eixos de subordinação, tratando justamente da forma que o racismo, o patriarcalismo, a opressão de classe e outros sistemas discriminatórios criam desigualdades básicas que estruturam a posição em que as mulheres se encontram (CRENSHAW, 1989, apud, RIBEIRO,2016). Com base nisto, exploraremos nesta pesquisa, que não existe uma opressão que esteja em primazia à outra, logo é preciso pensar em raça, gênero e classe de maneira conjunta, para entendermos de fato como estas opressões se estabelecem (RIBEIRO, 2016). A partir do entendimento de que as quebradeiras de coco babaçu são extrativistas reconhecidas, principalmente, por sua força política e sua organização social, lutando, ainda, pelo reconhecimento de seus direitos como mulheres, extrativistas e pela liberdade em exercer sua atividade laboral com dignidade, buscaremos demonstrar todas as violações de direitos a que elas estão sujeitas, perpassando por uma análise de identidade, gênero e resistência, a fim de compreender o significado de ser uma mulher quebradeira de coco babaçu nos dias de hoje. Neste trabalho, ao considerar o babaçu como uma das principais fontes de renda de inúmeras famílias em diversos Estados, principalmente, no Maranhão, mostraremos que, o extrativismo do babaçu é realizado, predominantemente, por mulheres, o que indica a necessidade e urgência de se abordar uma discussão, principalmente, sobre gênero na perspectiva interseccional. Ressalta-se, ainda, que a retirada do babaçu sempre foi palco de inúmeros conflitos socioambientais que perpassam questões políticas, de maneira que a partir de 1990 identificou-se a organização das quebradeiras de coco babaçu em um movimento de resistência pelo controle da atividade laboral sem a interferência dos atravessadores (JUNIOR, Miguel; DMITRUK, Erika; MOURA, João, 2014, p. 134) e para impedir a derrubada das palmeiras por parte dos fazendeiros, que frequentemente bloqueavam seus acessos. Por fim, será observado em que medida o MIQCB - Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu, une as quebradeiras de vários Estados brasileiros em prol de pautas que envolvem a defesa ambiental, a reafirmação de suas identidades étnicas e a superação das violações de gênero.

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Publicado

31/08/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade