MEMÓRIAS DA COMUNIDADE: DA CONSTRUÇÃO CULTURAL AO DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL

Autores

  • Ludimilla Maria Lima Santos

Palavras-chave:

Memórias. Quilombolas. Cultura

Resumo

O texto aqui elucidado apresenta um estudo sobre uma Comunidade Quilombola Pau D’Arco, uma pequena vila rural situada no Agreste do Estado de Alagoas – Brasil, e a forma como sua história tem sido construída e contada a partir das falas e memórias de seus moradores ao longo de suas diferentes gerações. Nos primeiros contatos com a comunidade foi perceptível o quanto as memórias estão presentes na oralidade dos moradores, independentemente da idade. Nas conversas informais, quando o tema é a comunidade, surgem relatos das lutas para a conquista do próprio espaço enquanto território em uma relação de constante associação entre a comunidade de antes e a comunidade de agora. Espaço de moradia e trabalho; construção das organizações familiares, religiosas e culturais. Toda produção de sentido é um discurso, e este é sempre controlado. Não há uma forma livre em sua produção, há intencionalidade, influências e consequências para todo ele, mesmo quando aparenta informalidade, carrega consigo todos os elementos de forma implícita há, portanto, determinações históricas na forma como as memórias são construídas em coletividade e como são transmitidas a partir dos discursos de seus produtores. Neste cenário, o principal objetivo desta pesquisa consiste em compreender qual o papel da memória na construção da história da Comunidade Pau D’Arco enquanto Comunidade Remanescente de Quilombo. Para tanto se faz necessário identificar a existência/inexistência de influências no discurso da comunidade e as consequências advindas das intervenções estatais em seu território. Como metodologia, além da pesquisa bibliográfica e documental o estudo substancia-se em pesquisa de campo realizada na comunidade desenvolvida por meio de instrumentos variados, inicialmente conversas informais registros fotográficos em um estudo exploratório e em seguida com a realização de entrevistas e visitas institucionais, todos os passos registrados em diário de campo como meio fundamental para reunião dos dados coletados e das experiências vivenciadas. Vale salientar que todos os passos da pesquisa seguem criteriosamente as orientações estabelecidas pela Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde quanto à realização de pesquisas com seres humanos, assim como todos os procedimentos pré-estabelecidos pela Plataforma Brasil para submissão de tais pesquisas. O estudo, ainda em andamento, pois, delineou outros tantos caminhos, tem sido financiado integralmente pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL), fazendo parte de uma pesquisa mais ampla desenvolvida dentro do Programa de pós Graduação em Dinâmicas Territoriais e Cultura (PRODIC) da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL). A importância deste trabalho concentra-se no fato de buscar elucidar a história das comunidades quilombolas e repercutir sua relevância sócio-cultural para toda a sociedade brasileira em diferentes contextos. Ainda em seu desenvolvimento foi possível apontar a memória dos moradores como elemento sine qua non para a constituição atual da comunidade uma vez que a própria certificação emitida via instituições nacionais, sendo elas Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Fundação Cultura Palmares (FCP) tem como ponto de partida a intencionalidade da comunidade, enquanto coletividade, em reconhecer-se enquanto remanescente de quilombo, devendo para tanto narrar sua história a partir de seus ancestrais e do desenvolvimento do território desde então. Portanto, não apenas a memória, mas sua construção coletivamente e sua transmissão representam os fundamentos para o reconhecimento da comunidade enquanto Comunidade Remanescente de Quilombo e para a manutenção e preservação da cultura local e desenvolvimento territorial.

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Publicado

01/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade