PATRIMONIALISMO E TOLERÂNCIA À CORRUPÇÃO BRASILEIRA: PERCEPÇÃO DA COMUNIDADE ACADÊMICA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA

Autores

  • Anna Flávia Arruda Lanna Barreto
  • Natália Silva Teixeira Rodrigues de Oliveira

Palavras-chave:

Corrupção brasileira. Cultura da cordialidade. Patrimonialismo. Percepção acadêmica e midiática.

Resumo

Esta pesquisa aborda o tema da corrupção brasileira no período republicano: sua origem, conceito, percepções e tolerâncias do cidadão comum com suas práticas e as diferentes interpretações acadêmicas de como e por que o fenômeno é gerado e mantido no Brasil. A estratégia adotada para realização da pesquisa é baseada na retrospectiva histórica e na realização de um estudo empírico sobre o fenômeno da corrupção no Brasil, a fim de explicar a relação entre os fatores sociais, políticos e culturais que condicionaram a maneira peculiar do brasileiro de entender, tratar e tolerar a corrupção, tendo como referência, a cultura patrimonialista brasileira, a indistinção entre o público e o privado nas inter-relações sociais e políticas (FAORO, 2012; HOLANDA, 2014). Trata-se de uma pesquisa oriunda de um projeto de iniciação científica, em desenvolvimento numa instituição de ensino superior de Minas Gerais, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG). O estudo tem a finalidade de esclarecer a percepção da comunidade acadêmica a respeito do fenômeno da corrupção na política e de traçar uma visão geral que permita compreender as noções gerais de política, ética, história e suas influências no sentido de tornar a corrupção tolerada no Brasil. O período de análise do estudo empírico se dará no ano de 2018, quando as eleições presidenciais proporcionarão intensos debates políticos em torno do tema. A comunidade acadêmica selecionada para realização desse estudo é uma instituição privada de ensino superior da cidade de Belo Horizonte, estado Minas Gerais. A escolha desse período e desse locus procurou associar o ano eleitoral com o conhecimento das pesquisadoras sobre o tema, bem como a atuação profissional das mesmas. Nossa pesquisa se propõe a responder aos seguintes questionamentos: como o cidadão comum percebe a corrupção no Brasil e o seu papel nesse processo? Como a mídia influencia no posicionamento dos brasileiros frente aos escândalos de corrupção? Como nossa herança cultural ibérica contribui para a continuidade de práticas moralmente degradantes para a continuidade da corrupção no Brasil? Nosso argumento central consiste na crença da existência de uma antinomia entre as normas morais existentes e a prática social da corrupção no Brasil, onde o cidadão comum apesar de condenar certas práticas tidas como moralmente degradantes passam a tolerá-las cotidianamente, em função de normas informais que institucionalizam a corrupção. A metodologia adotada será a pesquisa bibliográfica, procurando entender a corrupção como é discursivamente construída; a pesquisa jurisprudencial, abordando, sobretudo, os casos envolvidos na Operação Lava Jato; e empírica, observando como a mídia e redes sociais influenciam na construção das representações sobre a corrupção. O nosso marco teórico são as obras de Raimundo Faoro (2012) e Sérgio Buarque de Holanda (2014), que remetem a tradição patrimonialista, abordando o fenômeno da corrupção como resultado da indistinção das esferas pública e privada nas práticas cotidianas do brasileiro. Além disso, propõe-se desenvolver uma pesquisa empírica realizada com a comunidade do Centro Universitário UNA, baseada em um survey sobre a corrupção. Nossa atenção se volta para a cultura cívica, oriunda de um processo civilizatório brasileiro viciado por práticas como o patrimonialismo, o coronelismo e o clientelismo, nas quais os políticos exerciam práticas de favorecimento de determinadas empresas ou candidatos em troca de apoio para as suas campanhas. Como resultados esperados, acreditamos que a realização da pesquisa empírica aliada a uma pesquisa histórica e jurisprudencial poderá nos auxiliar a entender as heranças culturais que norteiam as ações e valores morais dos cidadãos, mas também o conhecimento desses sobre o tema e a forma como a mídia tende a influenciar as percepções e opiniões sobre nossa democracia e sobre conceitos cruciais para a sua manutenção, tais como a ideia de república e de interesse público.

Downloads

Publicado

01/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade