QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: PERCEPÇÕES E PRÁTICAS DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DE PIRANHAS-PB

Autores

  • Ana Alice Ferreira Batista
  • Luisa de Marillac Ramos Soares

Palavras-chave:

Preconceito Étnico-racial. Formação de Professores. Educação Infantil

Resumo

Este texto trata de um recorte de uma pesquisa de conclusão de curso de graduação, sobre o preconceito étnico-racial na Educação Infantil, objetivando identificar as práticas pedagógicas adotadas pelo professor/pedagogo para trabalhar o preconceito étnico-racial na Educação Infantil e conhecer elementos formativos adquiridos pelos professores para trabalhar com o tema étnico-racial na educação infantil. O público alvo foi constituído por quatro professoras com formação em Pedagogia. Os instrumentos metodológicos foram constituídos de: técnica da associação-livre de palavras (TALP), questionário sociodemográfico e entrevista semiestruturada. Para análise dos dados utilizamos a Análise de Conteúdo, proposto por Bauer (2010). Discutir esta temática não é uma tarefa fácil, pois implica que abordemos situações de discriminação e preconceito vivenciados, constantemente, por crianças de diferentes faixas etárias e que nem sempre se tornam um assunto discutido na escola; como também, pela limitada discussão nos Cursos de Formação de Professores para Educação Infantil. Para embasar nossos conhecimentos estudamos textos dos autores: Bento; Dias; Feitosa; Rosemberg; Trindad (2012); Ribeiro; Santos; Teles (2010) entre outros; foi utilizado também as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Participaram da pesquisa quatro professoras/pedagogas da educação infantil da rede municipal de ensino da cidade de São José de Piranhas – PB. Analisamos os dados e verificamos que das 24 palavras evocadas, 20 se localizaram na dimensão ética, com primeiro lugar as palavras: racismo, intolerância e preconceito. Duas na dimensão política, uma destacada como mais importante: negro; Uma na dimensão cognitiva e uma na dimensão afetiva, porém, sem indicação de importância nestas dimensões. Isto nos indica que para as professoras/pedagogas preconceito étnico-racial, se localiza entre a falta de princípios, respeito, valores e regras da nossa sociedade e que para trabalhar com a diversidade étnico-racial, em especial na educação infantil, exige-se que este profissional assuma um compromisso ético e político. Quanto às práticas pedagógicas adotadas, vimos que os professores/pedagogos adotam o projeto do dia da consciência negra ou abordam o assunto, (conversando com a criança) quando surge alguma ocorrência. No que diz respeito à formação adquirida pelas entrevistadas, todas afirmam não ter estudado esta temática no Curso de Pedagogia e uma diz ter participado de curso formativo sobre “a cor da cultura” que trabalhava o preconceito étnico-racial. Diante disto acreditamos que enquanto os Cursos de Pedagogia não incluírem em seu currículo a discussão sobre preconceito e a diversidade étnico-racial na educação infantil, novas estratégias pedagógicas devem se fazer presentes na prática cotidiana. Nessa perspectiva de igualdade étnico-racial, esperamos que esta pesquisa contribua para que o professor reveja a forma reducionista de como o negro é apresentado em nossa sociedade. Desperte-o para a utilização de práticas pedagógicas que auxiliem na construção da identidade racial das crianças negras. Reconhecemos que, para tanto, é necessário que ele tenha, enquanto aluno dos cursos de formação de professores para educação infantil, desenvolvido aprendizagens, conhecimentos culturais ou científicos sobre diversidade étnico-racial, ou, que embora não tenha estudado no Curso de graduação, tenha possibilidade de adquirir, quer seja reivindicando da secretaria de educação do seu município ou em estudos com seu grupo na própria escola.

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Publicado

01/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade