TRABALHADORAS MACEIOENSES: UM OLHAR DAS CIÊNCIAS SOCIAIS SOBRE A DEMANDA FEMININA POR DIREITOS TRABALHISTAS EM MACEIÓ DURANTE A ÉPOCA DO CRESCIMENTO ECONÔMICO ELEVADO – 1968 A 1973

Autores

  • André Luiz Ferreira Santos

Palavras-chave:

Trabalho da mulher. Gênero. Direito do trabalho. Nordeste. Maceió. Milagre econômico

Resumo

O estudo pretende dialogar sobre o trabalho feminino em Maceió, capital do Estado de Alagoas e possuidor de um dos piores índices socioeconômicos do país, durante o período da história brasileira conhecido como “milagre econômico”. A investigação se serve dos processos judiciais da primeira Vara do Trabalho de Maceió, instalada nos anos 1940. Pierre Bourdieu afirma que não é possível capturar a lógica mais profunda do mundo social a não ser submergindo na particularidade de uma realidade empírica. Este recorte de cinco anos (1968-1973) pretende demonstrar a realidade social e o mundo do trabalho na qual estavam inseridas as mulheres de Maceió naqueles anos de vigente ditadura. Este exercício de pesquisa se utiliza da história para iluminar uma análise sociológica. Durante o transcurso do trabalho nos apoiaremos dos ensinamentos de estudiosos das áreas de sociedade e trabalho e de questões de gênero. A pesquisa é contextualizada na cidade de Maceió, capital de Alagoas, e analisa questões de gênero no mundo do trabalho através da pesquisa em processos (judiciais) trabalhistas. Verifica o tratamento da mulher trabalhadora rural, urbana e doméstica. Visualiza um pouco da história da Justiça do Trabalho nesta cidade nordestina. A análise presente se serve da história social do trabalho e pretende interpretar o momento histórico seccionado apresentando as seguintes dimensões, com base em Maciel (2007): 1. Processo do trabalho, condições de vida e conjunturas políticas; 2. Classes subalternas, trabalhadoras urbanas e do campo; 3. Trabalhadoras organizadas; 4. Momentos fortes greves e manifestações operárias; 5. Debates ideológicos, artigos de opinião. No livro “Operários em movimento – documentos para a história da classe trabalhadora em Alagoas”, o professor Osvaldo Batista Acioly Maciel, como historiador, denuncia as engrenagens do esquecimento de uma memória, a dos filhos do trabalho, o silenciamento da história operária em Alagoas. Este trabalho foi dividido em quatro itens cada um dos quais com alguns subitens, menos o último que será em texto corrido. O primeiro, contextualiza a economia e a história da Justiça do Trabalho em Alagoas. O segundo, verifica a desigualdade de gênero no mundo do trabalho, vai percorrer os documentos sócio-jurídicos, principalmente as Convenções da Organização do trabalho, os documentos da história social do trabalho e análises de cientistas sociais que traduzem a desigualdade por gênero no tempo e no espaço. Em um subitem, por ter como campo a capital do nosso Estado, não há como deixar de observar a busca pela igualdade de gênero e raça no trabalho e a influência do coronelismo e do patriarcado nordestino no segmento. A terceira parte, o resultado da pesquisa de campo realizada na Justiça do Trabalho em Alagoas, tentará interpretar o que os processos trabalhistas, a despeito da linguagem formal do direito, transmitem sobre o comportamento das mulheres demandantes nas reclamações trabalhistas apresentadas por seus sindicatos, individualmente ou por advogados perante magistrados da primeira Vara Trabalhista de Maceió. Na conclusão, quarto e último item, procuraremos traçar um cotejo entre o achado e o tempo presente, em que medida as mulheres alagoanas de meio século atrás contribuíram para o alcance social das mulheres da atual década de 2010.

Downloads

Publicado

01/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade