A ESCOLA E O ENTORNO ESCOLAR: POSSIBILIDADES E LIMITES DO DEBATE SOBRE DIREITOS HUMANOS

Autores

  • Pollyanna da Silva Alves
  • Débora Rodrigues Santos

Palavras-chave:

Escola. Entorno escolar. Direitos humanos

Resumo

O ambiente escolar é uma fração da totalidade social, espaço de reprodução social, lócus de interação entre os indivíduos que influenciam e são influenciados num movimento de construção do cotidiano. A escola está inserida num espaço geográfico e precisa se relacionar de modo orgânico e dialético com o entorno escolar e todo o conjunto da sociedade. O presente texto apresenta a sistematização dos resultados da pesquisa sobre “Direitos humanos, protagonismo da juventude e redes sociais online” realizada em nível lato sensu e consistiu num trabalho de conclusão de curso apresentado em forma de Plano de Intervenção. Ressaltamos que este Plano de Intervenção representou um esforço coletivo na tentativa de agregar pessoas e estratégias para o planejamento e realização de ações educativas que fomentassem a capacidade de atuar e transformar na realidade. Estas ações foram propostas na cidade de São Miguel dos Campos/AL. O objetivo geral do Plano de Intervenção foi socializar a concepção histórica e social sobre os Direitos Humanos e seus rebatimentos na atualidade.Este trabalho discute Direitos Humanos numa perspectiva histórica e social, recuperando aspectos de sua gênese para analisar o debate contemporâneo, seus avanços e limites. A intenção é fomentar espaços para o estudo, reflexão e debate, na escola e no entorno escolar, sobre os Direitos Humanos no cotidiano de pessoas reais, na construção da totalidade social, como mediação numa relação conflituosa por essência numa sociedade de classes, fomentar o protagonismo juvenil, no planejamento, desenvolvimento e disseminação de conteúdo nas Redes Sociais Online para a defesa do acesso e efetivação dos Direitos Humanos. Este trabalho discorre sobre possibilidades e limites do debate sobre Direitos Humanos na escola. Problematiza a necessidade de fomentar a discussão sobre os Direitos Humanos a partir da construção coletiva de atividades na escola e no seu entorno baseadas na leitura de textos clássicos e contemporâneos sobre o tema. Através do estímulo com variadas técnicas de leitura propomos a construção de material junto com os discentes socializando o debate sobre a efetivação dos Direitos Humanos como vetor de transformações sociais. Há uma complexidade na rotina das pessoas envolvidas nesse cotidiano em constante transformação, com potencial para catalisar e atuar como difusor de práticas emancipatórias. Apreender que os Direitos Humanos têm um fundamento histórico e se ergue nas relações sociais é incontornável para qualificar o debate entre os que fazem a escola, esgarçando as possibilidades de pessoas capazes de exigir a efetivação de mais direitos. Acessar os desdobramentos econômicos, sociais e políticos que culminaram na Revolução Francesa, fenecimento do feudalismo é necessário para estimular os indivíduos a refletir sobre a capacidade social da humanidade de promover alterações profundas e estruturais no modo de viver, de produzir riqueza, de se relacionar com o meio. Em tempos de crise estrutural a derruição dos já insuficientes serviços públicos é a realidade que devemos transformar, daí a necessidade urgente da formatação e consolidação de uma Rede (formal e informal) de Proteção Social na interligada com o Sistema de Garantias de Direito da Criança e do Adolescente (SGDCA), estimulando o fortalecimento de vínculos, lutando contra a violência institucional, propondo e implementando ações voltadas para o respeito, a participação, a autonomia e a troca de conhecimento com a defesa intransigente dos Direitos Humanos. Daí a importância de estimular e facilitar a ampla circulação de conteúdos sobre Direitos Humanos nas escolas com estratégias transdisciplinares que estimulem discentes, docentes, funcionários, parceiros a utilizar os Direitos Humanos como instrumento de transformação dessa sociedade. Fomentar o protagonismo dos discentes é uma prática capaz de transformar conceitos abstratos em vetores de transformação cultural. Processos educacionais que entronizem a autonomia de jovens e adolescentes – uns quase crianças, uns quase adultos – são um caleidoscópio vibrante de possibilidades. Na juventude a capacidade de transgredir, de ser irreverente, de se comunicar, de ser e absorver o novo pode ser utilizada como estratégia e concomitantemente veículo de disseminação de conteúdos no formato de texto, vídeo, música, virtual sobre Direitos Humanos, sendo a escola incubadora de humanidade e práticas emancipatórias. O nosso foco é o fomento ao debate e reflexão sobre Direitos Humanos, com o auxílio da análise de fragmentos de livros, documentários, palestra de estudiosos do tema. E também socializar as informações disponibilizadas durante o Curso de Especialização em Direitos Infanto-Juvenis no Ambiente Escolar (Escola que Protege) da Universidade Federal de Sergipe, estimulando educadores e outros profissionais a utilizar em sua ação profissional conteúdos relacionados ao tema e fomentar a produção de conhecimento nessa área. À guisa
de conclusão, ressaltamos o quão é urgente utilizarmos o acesso e a efetivação dos Direitos Humanos como estratégia para construção de uma sociedade que não reifique nossa humanidade e que o objetivo dos seres humanos seja a emancipação humana. A partir do trabalho que ora apresentamos vislumbramos fomentar na Juventude uma apreensão crítica da realidade que culminem no conhecimento dos seus direitos e que possam lutar de forma coletiva com protagonismo, bem como disseminar a cultura dos Direitos Humanos no ambiente escolar, nas comunidades onde vivem se utilizando do instrumento que tanto utilizam no cotidiano: as redes sociais on line.

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Publicado

02/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade