A POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DO INSTITUTO FEDERAL DO AMAZONAS COMO FERRAMENTA PARA A PROMOÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE OS DIREITOS HUMANOS: TRABALHANDO QUESTÕES DE GENERO NO CAMPUS PARINTINS

Autores

  • Jessica Reis Marinho

Palavras-chave:

Educação. Política de assistência estudantil. Questões de gênero. Direitos humanos.

Resumo

A gravidez na adolescência e a violência contra a mulher são fenômenos presentes na realidade de milhares de brasileiras e que não só as afeta, mas também à própria civilidade do conjunto social. Em um país onde um estupro ocorre a cada onze minutos, onde uma mulher é assassinada a cada duas horas, onde a cada hora cerca de quinhentas são vítimas de agressão, onde se “ostenta” a sétima maior taxa de gravidez adolescente da América do Sul, urge a necessidade de se intervir nessas problemáticas, especialmente considerando-se o papel estratégico das instituições de educação formal. Em um quadro de constante violação de direitos arraigados na cultura brasileira desde o seu surgimento, é mister fazer frente a fenômenos tão ultrajantes que desafiam a efetivação dos direitos humanos (DH) às mulheres e nos colocam em posições vergonhosas perante a comunidade internacional, mesmo o país sendo exemplo de adesão aos tratados internacionais de DH. Considerando-se esse contexto, acredita-se que através da atuação profissional do assistente social no cotidiano escolar, pode-se intervir, através de práticas pedagógicas, no enfrentamento dessas problemáticas que os sujeitos carregam de suas vivências fora do espaço escolar, sendo a prevenção e o conhecimento as principais ferramentas de enfrentamento da desigualdade de gênero. Iniciativas como essa são se extrema importância, uma vez que nem sempre se trabalha em sala de aula a formação humana dos discentes e isso é algo imprescindível no espaço escolar, uma vez que aí não se devem aprender apenas conteúdos propedêuticos, mas principalmente elementos que possibilitem o exercício da cidadania e o preparo para a vida em sociedade, complementar à formação que ocorre no âmbito familiar Nesse sentido, trabalhou-se um projeto no Instituto Federal do Amazonas, Campus Parintins, no âmbito da Política de Assistência Estudantil, que tratou sobre “A importância da abordagem aos temas transversais”, dentre os temas trabalhados estavam “Violência contra a mulher e Gravidez na Adolescência”. Ao se abordar tais temáticas, buscou-se chamar a atenção dos educandos para as problemáticas apresentadas com vistas a promover, a partir da reflexão e do conhecimento, uma nova conduta e uma leitura mais consciente dessas realidades, buscando romper com o pré-conceito e com o senso comum, na perspectiva da formação humana integral comprometida com os DH em consonância com o que propõe o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH). Dessa forma, este trabalho é resultado das discussões e atividades travadas no projeto ora mencionado e constitui-se num relato de experiência. Como método de avaliação da execução deste, foi aplicado um questionário semiestruturado de cunho quati-qualitativo com os participantes a fim de colher suas percepções sobre a aprendizagem dos temas e a contribuição das discussões para a formação humana dos mesmos. Através das respostas dos questionários, pode-se ter uma breve percepção do impacto gerado na vida desses educandos, conforme os objetivos traçados no projeto. A proposta metodológica consistiu em analisar qualitativamente a resposta dos entrevistados e medir a satisfação dos mesmos quanto às atividades e temas trabalhados. Pode-se concluir que iniciativas como essas contribuem significativamente para uma nova compreensão dessas problemáticas por parte dos educandos, pois os mesmos puderam discuti-las a partir do ponto de vista das ciências sociais confrontando o novo conhecimento com os que carregavam, sendo estes possivelmente permeados de concepções equivocadas e preconceituosas do senso comum. O grande desafio foi estimular uma nova leitura da realidade numa perspectiva de compressão científica dos temas e vinculá-la ao desafio em torno da efetivação dos DH.

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Publicado

02/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade