AÇÕES DE PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO ÀS DROGAS EM PROGRAMAS DE ATENÇÃO À DEPENDÊNCIA QUÍMICA DE ALAGOAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores

  • Renise Bastos Farias Dias
  • Ana Caroline Melo dos Santos
  • Lino José da Silva

Palavras-chave:

Prevenção. Dependência Química. Enfrentamento. Drogas

Resumo

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2012, mais de 165 milhões de pessoas faziam uso de drogas ilícitas abrangendo indivíduos entre 15-64 anos(WORLD ORGANIZATION HEALTH, 2016.). Destaca-se nesse contexto a utilização da cocaína que é considerada como umas das drogas psicoestimulantes mais perigosas com cerca de 17 milhões de usuários, e, portanto, um problema no âmbito da saúde pública e social. Várias manifestações clínicas são causadas pelo uso indiscriminado de drogas incluindo agitação, paranoia, alucinações, atos violentos, bem como pensamentos suicidas e homicidas que se não identificados precocemente podem vir a progredir severamente. A maior parte da atenção dos esforços para enfrentar o problema das drogas é dirigida ao combate do tráfico. Poucos estudos têm sido realizados dando ênfase aos problemas de saúde que acometem os usuários e isso se torna preocupante na medida que o conhecimento do perfil do usuário permite sugerir protocolos de tratamento e rastreamento, mais abrangentes e multidisciplinares bem como intervenções mais efetivas. Diante do exposto, o presente estudo teve como objetivo descrever os relatos de experiências de acadêmicos sobre a oferta de atenção preventiva e de reabilitação aos usuários de drogas atendidos por programas de atenção a dependência química na Atenção Primária em Alagoas, a fim de dialogar com práticas que supere a visão unilateral de tratamento de dependentes químicos no seu processo de saúde/doença com o contato com a droga. Aspectos Metodológicos: Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência abordando a temática drogas de abuso e ações de prevenção e enfrentamento da dependência química com usuários de drogas em Alagoas. Foi realizado em uma comunidade acolhedora do município de Arapiraca com 22 usuário sem tratamento para reabilitação. Os dados foram coletados através de formulário semi estruturado e aplicado por discentes de enfermagem, psicologia e enfermeiros, contemplando informações referentes as características sociodemográficas, de uso da droga e de tratamento. As variáveis contínuas e categóricas foram analisados utilizando o software estatístico SPSS.O projeto de pesquisa para realizar as atividades nas comunidades acolhedoras foi aprovado pelo comitê de ética e pesquisa da Universidade Federal de Alagoas sob parecer nº 2.408.885. Resultados: a média de idade dos participantes da ação foi de 32,61 ± 10,32, 100% (n=22) pertenceram ao gênero masculino, 78,6% (n=19) são solteiros, 57,1% (n=14) tinham fundamental incompleto. Os usuários relatavam uso de múltiplas drogas, entretanto a fissura por crack foi mais prevalente (64,8%). Em relação a busca por tratamento, 37,5% (n=9) já tinham procurado instituições de cunho religioso, auto-ajuda ou grupos de suporte. Foi realizada uma dinâmica de grupo com dependentes químicos, em uma comunidade acolhedora. A atividade consistiu em uma forma de apresentação das pessoas envolvidas naquele grupo, de maneira dinâmica, iniciando a atividade com instruções sobre a confecção de um desenho que lhe representa-se, para cada membro, e que, as pessoas, na medida do possível, mantivessem o segredo sobre seu desenho junto aos demais. No grupo existia cerca de 22 pessoas, que utilizaram de 15 a 20 minutos para a finalização de suas produções, no qual cerca de 5 destas não quiseram desenhar, mas, ficaram visualizando as produções e o momento posterior. Em um segundo momento, foi pedido a todos os participantes que entregassem os seus desenhos e os materiais utilizados aos coordenadores do grupo, que agora com novas instruções, os participantes teriam que adivinhar de quem pertencia o desenho mostrado a todos, e o autor teria que silenciar-se esperando o fim das especulações sobre a autoria do desenho, e logo após, poderia revelar sua autoria sobre o desenho exibido. A dinâmica proporcionou de forma menos diretiva, a apresentação dos dependentes químicos, promovendo a possibilidade de identificar no outro, a sua forma de ver o mundo através de uma produção artística, e causando a mobilização no restante dos participantes, que se esforçaram para retomar o desenho confeccionado a partir daquilo que conhecia do outro para identificar a autoria da obra exibida. Portanto, foi possível viabilizar compartilhamento de afetos e conhecimento daqueles que convivem na comunidade terapêutica, possibilitando aos coordenadores do grupo uma chance de conhecer um pouco mais dos participantes, a fim de embasar intervenções individuais e consequentemente considerar o ser nos aspectos sociais, econômicos, culturais e interpessoais. Sob esta perspectiva, o conteúdo abordado nas práticas de atenção direcionada aos usuários de álcool e outras drogas apresenta embasamento na concepção ampliada de redução de danos e compromisso com os direitos de cidadania dos usuários de álcool e outras drogas. Conclusões: Por conseguinte, as praticas realizadas na comunidade acolhedora de
dependentes químicos, corroboram as ideias da lei de drogas (Lei 11.343/06)1 que tem como princípio a garantia dos Direitos Humanos e reinserção social do usuário de drogas, trazendo como base a drogadição como problema de saúde mental2, nos colocando frente a assistência do Estado aos dependentes químicos, numa perspectiva que sobreponha o tratamento por vias unilaterais, podendo enxergar praticas que possibilitem a reinserção social desse individuo frente a multidimensionalidade que esta sobre o seu contanto com o uso de drogas. Sendo, pois, praticas que necessitaram pensar os direitos daqueles que muitas vezes tem questões fundamentais de direitos a vida e a saúde negligenciadas3,sendo evidenciados nas pesquisas realizadas com os usuários das comunidades acolhedores, o sofrimento associado a drogadição e seus aspectos sociais de relação entre a precariedade de laços, a miséria, incapacidade de diálogo, desestruturas familiares e por muitas vezes a omissão de políticas publicas para o tratamento de sua dependência química4. Portanto, as ações de prevenção e enfrentamento às drogas, citadas anteriormente, executadas na comunidade acolhedora de dependentes químicos, álcool e outras drogas, se produziu em pensar praticas emergentes no âmbito da saúde5, afim de direcionar tais praticas com o olhar biopsicossocial do humano, enquanto detentor de direitos de base.

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Publicado

02/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade