CONHECIMENTO DE SI E O PRESÍDIO: UMA REFLEXÃO FILOSÓFICA A PARTIR DE MICHEL FOUCAULT

Autores

  • Filipe Cortes de Menezes
  • Henrique Ribeiro Cardoso

Palavras-chave:

Conhecimento. Presídio. Foucault

Resumo

O artigo trabalhará o tema acerca da discussão filosófica do conhecimento de si, assim como da aplicação e relação com o instituto do Presídio, a partir, e não somente, das análises de Michel Foucault. Neste sentido, serão tecidas considerações acerca da desvirtuação da finalidade deste, servindo não como instrumento de ressocialização, mas de desenvolvimento de praticas criminosas no seu âmbito, inclusive totalitárias. Neste contexto, se abordará, brevemente, a influência deletéria do encarceramento na personalidade humana, sua subjetividade, o conhecimento que o sujeito tem de si, e sua responsabilidade perante o outro, citando como exemplo de desvirtuamento da finalidade do Presídio a própria construção da teoria totalitária de Adolf Hitler, desenvolvida no interior de um cárcere, durantes os meses em que ficou preso e escreveu “Minha Luta”. Inicialmente, se fará uma análise acerca do desenvolvimento do que seja “conhecimento de si” com base numa reflexão religiosa, tecendo considerações sobre passagens bíblicas relacionadas com a temática, assim como a teoria pertinente, inclusive teleológica, destacando o contexto histórico do Estado-Absolutista, pautado no dogma religioso e a concentração de Poder, bem como a influência que este Estado-religioso possuiu sobre o sujeito, a sua auto- percepção, enquanto ser humano, enquanto ser integrante da comunidade. Posteriormente, se fará uma analise do conhecimento de si no contexto do movimento Iluminista, tecendo considerações críticas acerca deste momento histórico e sua conexão com o tema, demonstrando como tal marco histórico contribuiu e em que medida afetou a percepção do sujeito e as consequências disto perante a sua postura diante do Mundo. Num terceiro momento, passa-se a análise do “conhecimento de si” a partir da visão filosófica de Michel Foucault, mediante uma análise em algumas obras e discursos por ele desenvolvidos, inclusive perante o “college de france”, sendo mister destacar que não se tratará de uma mera síntese do pensamento do filósofo, mas de ponderações que partem deste pensamento para se buscar novas reflexões e posições pertinentes ao tema e contextualizadas com o tempo atual. Na reflexão acerca do pensamento de Foucault se resgatará, por exemplo, como era a noção do “conhecimento de si” na Grécia, passando depois sobre o entendimento do instituto na modernidade, bem como sua influência sobre o sujeito, na conscientização, por parte deste, dos instrumentos de submissão e controle de poder(loucura, doença, presídio) ‘. A partir disto, se tentará desenvolver uma concepção acerca do “conhecimento de nós”, como reconhecimento, pelo corpo coletivo, dos direitos e responsabilidades, inclusive de proteção dos Direitos Humanos, neste ponto fazendo uma interlocução com o teórico Axel Honneth, em ‘a luta pelo reconhecimento’. Uma prática inicialmente individual que pode ser desenvolvida para uma concepção social, de atuação coletiva, como pré-requisito para uma prática de reconhecimento enquanto ser cidadão e, sobretudo, titular de direitos humanos. De igual maneira, se buscará desenvolver no artigo, como dito, uma análise crítica do instituto do Presídio, sob a inspiração do mesmo filósofo, principalmente sobre a sua obra “Vigiar e Punir”, sobretudo a forma como o Cárcere despersonaliza o sujeito, o submete a uma ordenação, a um processo de objetivação, e como pode, em desvirtuação da sua finalidade ser ambiente de criminalização, ambiente de desenvolvimento inclusive de Estados totalitários, como o foi no Nazismo.

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Publicado

02/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade