DIVERSIDADE SEXUAL E EDUCAÇÃO: RELAÇÕES SOCIAIS NAS ESCOLAS DE ENSINO MÉDIO DE MACEIÓ

Autores

  • José Roberto da Silva Júnior

Palavras-chave:

Direitos Humanos. Sexualidade. Gênero e Diversidade Sexual

Resumo

A diversidade, compreendida como construção histórica, social, cultural e política das diferenças, de classe social, idade, gênero, étnica, interesses entre os estudantes como porta de entrada do ensino e do sucesso na aprendizagem na ambiente escola são ainda parcialmente aceitas e constituem um forte impacto na normatividade dos sistemas educacionais, que insistem na exclusão dessas diferenças. Questionam-se os limites da diversidade, além dos quais os estudantes são inelegíveis. A tendência é encorajar os estudantes a ignorar suas próprias diferenças e as dos outros. A negação da diferencia é não perceber a diversidade que nos cerca, nem os muitos aspectos em que somos diferentes uns dos outros e transmitir, implícita ou explicitamente, que as diferenças devem ser ocultadas, tratadas à parte. Essa maneira de agir remete, entre outras formas de discriminação, à necessidade de separar estudantes/profissionais da educação com dificuldades de relações, à busca da "homogeneidade" nas salas de aula para o ensino ser bem-sucedido, remete, enfim, à dificuldade que temos de conviver com pessoas que se desviam dos parâmetros de “normalidade”, conduzindo-as ao isolamento, à exclusão, dentro e fora das escolas. Na atualidade, a relação das diversidades tem ocupado um lugar de visibilidade. Segundo, Anete Abramowicz, Rodrigues Cruz (2011) diz que a escola é um reflexo da discussão heterogeneidade do processo culturais da sociedade atual, é relacionada a oposto do modelo de estado-nação moderno, liberal e ocidental frequentemente presente em boa parte do mundo. A utilização do termo diversidade e diferente e de forma indiscriminada, a ascensão da diversidade é um dos efeitos das lutas sociais provocada pelos movimentos sociais, trazendo as discussões e olhares teóricos que se ocupam dessa temática. Essas distintas perspectivas teóricas atribuem diferentes significados e possibilidades à ideia de diversidade e diferença. Segundo o Dicionário Aurélio, O termo diversidade, vem da palavra “diversidade”, de origem latina, e significa: diferente. No decorrer da história a “diferença” foi vista como algo divergente, inverso, desfavorável e/ou aviltante. Muito da justificação da prática social do preconceito e da discriminação encontra seu acento nessa visão distorcida em relação à pessoa “Diferente”. Todavia na contemporaneidade o termo “diversidade” e/ou “diferença” assume um aspecto positivo, como luta em favor dos direitos de pessoas e/ou setores excluídos, marginalizados socialmente. A discussão sobre diversidade está ligada heterogeneidade de culturas que limita a sociedade atual, contrapondo ao Estado. A participação política de determinados grupos definidos a partir de uma identidade cultural em comum é o aspecto mais controverso desses movimentos e também o mais difícil de ser equacionado. A diversidade humana está presente desde o início da humanidade, porém no final do século 20 se dá conta desta especificidade, entendendo que o ser humano não tem especificidades ou expressões iguais. Neste cenário, a comunidade escolar é composta por estudantes de variados grupos sociais, político-econômico, étnicos e religiosos. A escola apresenta dificuldades para o entendimento da diversidade humana, devido à cultura conservadores e práticas pontuadas em agir nas formas pedagógicas acreditando em um processo de aprendizado homogeneizado, desconsiderando, a diversidade, ou seja, as diferenças. Ressalto que o objetivo não é transformar o ambiente da escola em um serviço de assistencialismo busca-se o exercício de cidadania, a escola é um agente construtor da realidade social, enfatizo que toda das pessoas tem o direito de emancipação humana, a escola em conjunto com seu quadro funcional deve buscar meios para incluir seus estudantes, promovendo espaços livres de discriminação social, de gênero, étnico ou sexual. A escola tem o papel de promover ação-reflexão-ação, levando a condução de novas práticas dentro do meio escolar, a escola tem o papel de formar cidadão para comunicar-se com o mundo, sendo a diversidade um reflexo da formação da nossa sociedade. A escola ocupa espaço importante no processo de educação e socialização. A escola representa um espaço oportuno para reflexão, discussão e promoção da diversidade, inclusão de pessoas. Por isso, a luta e o esforço de inúmeros pensadores, educadores e políticos na construção de uma escola para todos, aberta a diversidade. Quando dialogamos sobre diversidade na educação ressaltamos a ideia contribuir com a oportunidade a todos os estudantes de acesso e permanência na escola, com o senso de igualdades de condições, e respeito múltiplo. Ao falamos sobre as diversas diferenças ou diversidade, não estamos relacionando apenas às minorias, ou a pessoas com algum cuidado especial. É importante deixamos claro que, dialogo e ampla, somos iguais, porém com especificidades diferentes. Tal fato trata-se de denominar como diversidade as diferentes condições e as relações
discriminatórias e excludentes presentes em nossas escolas e que compõem os diversos grupos sociais. Segundo Foucault ao fazer uma análise histórica e inovadora viu no exército, nas fábricas, nas prisões, nos asilos e nas escolas da Idade Moderna atitudes de doutrinamento do corpo e da mente do sujeito, surgindo então à concepção do homem como um objeto, capaz de ser moldado, dando às instituições a possibilidade de modificá-lo. Para Foucault, o corpo, nas instituições sociais, é visto como um objeto, capaz de ser dominado, “doutrinado” por meio de normas e punições, para que assim todos cumpram suas tarefas como “bons cidadãos” evitando burlar as normas estabelecidas pelo Poder. A escola precisa refletir, diante das observações cotidiano, percebemos como em nossas práticas pedagógicas estão enraizados em um sistema patriarcal e quase que fechado, a normatividade tem excluído estudantes e lhe tirando a oportunidade de reescrever suas histórias, é dentro da escola que as relações se complementam de modo a formar pessoas diversas.

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Publicado

02/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade