Estratégias metodológicas de pesquisas com travestis e mulheres trans em contextos de privação de liberdade: diálogos a partir de revisão da literatura.

Autores

  • Arles Monaliza Rodrigues Nascimento
  • Benedito Medrado Dantas

Palavras-chave:

Transfobia, Transexualidade, Sistema Prisional, Direitos Humanos.

Resumo

Este trabalho representa o recorte de uma dissertação em andamento no curso de Pós Graduação em Psicologia na Universidade Federal de Pernambuco, que tem como objetivo analisar narrativas de travestis e mulheres trans sobre situações transfóbicas vivenciadas em contextos de privação de liberdade. Dados da associação em defesa dos Direitos Humanos de homossexuais mais antiga do Brasil, o Grupo Gay da Bahia, apontam que no ano de 2017 foram contabilizadas 445 mortes de pessoas vítimas de LGBTfobia, dentre elas 387 assassinato e 58 de suicídios. Importa destacar que estes números sinalizam apenas as ocorrências notificadas na mídia, visto que não existem estatísticas governamentais e oficiais sobre essas mortes, havendo assim uma subnotificação dos casos. Dentre as vítimas, 191 foram transexuais ou travestis. Atrelado a este cenário, pesquisas recentes têm sinalizado o aumento considerável no encarceramento de travestis e mulheres trans, principalmente pela atual conjuntura da chamada “guerra às drogas”, pois muitas delas estão em situação de rua e em contexto de tráfico de drogas. Estes dados se tornam preocupantes se levarmos em consideração o cenário alarmante do atual Sistema Prisional Brasileiro, sobretudo na vivência de pessoas transexuais, pois somam-se às violações de Direitos Humanos convencionais do cárcere as tensões binárias, heteronormativas e cissexistas, que reproduzem o corpo transexual como um abjeto. As pesquisas neste campo tem sinalizado o caráter transfóbico do cárcere, que vitima travestis e mulheres trans das mais diversas formas, principalmente através de crimes de ódio. Assim, partindo do ponto de vista que a transfobia é potencializada nos contextos de cárcere devido ao componente de privação de liberdade e que a mesma é ignorada pelas estratégias governamentais, esta pesquisa se interessa particularmente nas situações transfóbicas vivenciadas por travestis e mulheres trans em contexto de cárcere, nas formas individuais e coletivas de enfrentamento por parte desse público e em como tem se posto a instituição prisional frente à transfobia. Em relação à perspectiva metodológica, assumimos uma postura qualitativa na construção de conhecimento, e propomos para este evento o debate sobre as estratégias metodológicas que as pesquisas encontradas durante a revisão de literatura tem se utilizado. As análises preliminares evidenciam a pluralidade de estratégias metodológicas, das bases teóricas e de campos disciplinares, com enfoques em torno da interseccionalidade e marcadores sociais da diferença, que buscam compreender como as dimensões de raça, classe e as manifestações da sexualidade produzem marcas nestas vivências. A triangulação de métodos também têm sido uma aposta em pesquisas comprometidas com este cenário, instrumentos como entrevistas, observação participante e análise documental tem sido utilizadas concomitantemente, com vistas a maximizar a compreensão e descrição dos dados produzidos. Outras pesquisas sinalizam as dificuldades enfrentadas na realização de pesquisas no ambiente prisional, devido às restrições institucionais da condição de encarceramento. Isto nos levou a considerar como uma das possibilidades metodológicas a realização da nossa pesquisa de campo em um patronato penitenciário, instituição que assiste pessoas egressas do sistema prisional, ou que ainda se encontram em regime semi-aberto ou aberto, pois acreditamos que teríamos uma maior flexibilidade. Desta forma, trabalharíamos com narrativas, e através da técnica “história oral de vida”. Através deste resumo, pretendemos apresentar a revisão de literatura e as possibilidades metodológicas de pesquisas neste campo.

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Publicado

26/09/2018

Edição

Seção

Resumos do I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade