GOTA ÚRICA VISCERAL EM ARAPAPÁ ( Cochlearius cochlearius) - RELATO DE CASO

Autores

  • Matheus Vasconcellos Zoológico Municipal Quinzinho de Barros
  • Leandro Silva Reis Zoológico Municipal Quinzinho de Barros
  • Beatriz Maccari Silva Zoológico Municipal Quinzinho de Barros
  • André Luiz Mota da Costa Zoológico Municipal Quinzinho de Barros
  • Glícia Fernanda Oliveira Almeida Universidade Federal Rural do Semi Árido
  • Fabiano Rocha Prazeres Júnior Universidade Federal Rural do Semi Árido
  • Marcelo Almeida de Souza Jucá Médico Veterinário

Resumo

Introdução: Pertencente à ordem dos Pelecaniformes, o arapapá é uma ave de aparência notável que pode ser encontrada do México à Bolívia e Argentina, e em quase todo o território nacional. Assim como todas as aves, o arapapá sintetiza o ácido úrico como produto final da metabolização do nitrogênio. A gota úrica é uma patologia metabólica relacionada com o acúmulo de ácido úrico cristalizado em diversos tecidos do organismo. O trabalho a seguir tem como objetivo relatar o diagnóstico desta afecção em um indivíduo de Arapapá e ressaltar suas dificuldades. Método: No dia 27/02/18 um espécime de Arapapá foi trazido ao setor veterinário do PZMQB com laceração profunda em crânio com exposição óssea, úlcera de córnea bilateral e escore de condição corporal 2 (1-5). Foi instituído protocolo terapêutico com enrofloxacino 20mg/Kg/IM/SID, metronidazol 50mg/kg/VO/BID, meloxicam 0,5mg/kg/IM/SID, tramadol 10mg/Kg/IM/BID, Ringer com Lactato 60ml/Kg/SC/SID e colírio de trometamol cetorolaco 5mg/ml 1gota/BID em cada olho. O animal veio a óbito no dia seguinte. Ao exame necroscópico foi notado pontos esbranquiçados em sacos aéreos anteriores e posteriores, lesões de mesma aparência foram observadas em pericárdio e epicárdio, também sendo descrita uma congestão vascular renal, acúmulo de gordura perigástrica exacerbada e fratura em diáfise de fêmur esquerdo. Resultados: O animal veio a óbito pelo poli-traumatismo já mencionado, porém apresentou as lesões de gota úrica como achados necroscópicos, levantando o questionamento sobre sua relevância clínica e patológica. Este distúrbio metabólico está comumente associado à idade, nutrição e baixa disponibilidade hídrica, sendo os animais idosos com dietas ricas em proteína predispostos a apresentar esta afecção. Outro questionamento é sobre a doença clínica causada pela lesão, pois este indivíduo não apresentou sintomatologia associada a gota úrica. Levando a crer que as alterações causadas por esta patologia são pouco expressivas para causar dor ou disfunção orgânica ou pela capacidade comportamental do animal de disfarçar seus sintomas clínicos. Até o presente momento nenhum contactante veio a óbito com sintomatologia ou lesões condizentes com a enfermidade em questão. Conclusão: O presente trabalho relatou um caso de gota úrica viceral em Arapapá, evidenciando as dificuldades do diagnóstico in vivo desta patologia, levando em consideração o comportamento de diversas espécies selvagens de omitir sinais clínicos e a demora para que as lesões levem a uma disfunção orgânica.

Palavras-chave: Pelecaniformes, gota úrica, nutrição.

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Publicado

05/06/2019

Edição

Seção

Patologia