TRAUMA MEDULAR EM (Iguana iguana, LINNAEUS, 1758) – RELATO DE CASO

Autores

  • Joyce Filho Santana Universidade Federal de Sergipe
  • Natália Luise de Santana Oliveira Universidade Federal de Sergipe
  • Gabriel de Araújo Lobão Universidade Federal de Sergipe
  • Fernanda Neves Santos Universidade Federal de Sergipe
  • Jamile Prado Dos Santos Universidade Federal de Sergipe
  • Monalyza Cadori Gonçalves Universidade Federal de Sergipe
  • Victor Fernando Santana Lima Universidade Federal de Sergipe

Resumo

Introdução: Lesões traumáticas em coluna vertebral e medula espinhal ocorrem frequentemente em animais e humanos, levando a sequelas devastadoras como perda parcial ou completa das funções motoras, sensoriais e autônomas. A medula espinhal e raízes associadas podem ser comprometidas após um trauma às vértebras devido à compressão ou contusão do tecido neural, caracterizando uma lesão primária, e aos mecanismos secundários de disfunção celular. Entretanto, devido às variações na anatomia das vértebras, ligamentos, segmento medular, localização dos corpos celulares neuronais e diâmetro do canal vertebral, pode ocorrer considerável deslocamento vertebral com pouca lesão ao tecido nervoso ou  grande lesão medular sem grande comprometimento ósseo. Na clínica de répteis, traumas medulares ainda são de pouca notificação, sendo ainda dependentes de um diagnóstico rápido e preciso para a instituição de um adequado plano terapêutico. O discussão da ocorrência dessas afecções são importantes para o desenvolvimento da competência diagnóstica e terapêutica dos profissionais que trabalham com animais silvestres. Este relato apresenta um caso de uma Iguana iguana com sintomatologia neurológica medular após evento traumático em coluna vertebral e sua evolução com tratamento conservador. Relato de caso: Uma iguana-verde (I. iguana), macho, de 1,009 kg e 6 anos de idade, foi atendido no ambulatório de animais silvestres do Hospital Veterinário Universitário do Departamento de Medicina Veterinária Universidade Federal de Sergipe com histórico de perda de movimentos dos membros posteriores, apatia, inapetência e distensão abdominal após a queda de um jarro de vidro há 2 dias. Na avaliação neurológica foi observado paraplegia com ausência de nocicepção superficial nos membros pélvicos. A nocicepção profunda estava mantida na região sacral e algia na reagião pélvica Na avaliação radiográfica da coluna vertebral não foi possível detectar deslocamento ósseo; no entanto, foi observado a presença de fecaloma confirmando o relato de constipação por parte do tutor. Diante das limitações técnicas para aprofundamento diagnóstico, optou-se pela realização de tratamento medicamentoso com o objetivo de normalizar as funções viscerais e permitir a recuperação medular e possível melhora das funções locomotoras. Resultados: O animal recebeu metamizol (Dipirona®, 25mg/kg, IM, SID), meloxicam(0,1 a 0,2 mg/kg, IM), fluidoterapia com NaCl a 0,9% (2ml/kg, SC) e óleo mineral (1ml/kg, VO), sendo prescrito metamizol (Dipirona®, (25mg/kg, IM, SID) e Profenid® Cetoprofeno (2mg/kg, VO, SID) por cinco dias e fosfato dissódico de citidina trifosfato trissódico de uridina acetato de hidroxocobalamina (ETNA®, 1 cáps. 2,5mg + 1,5mg + 1,0mg/kg, VO, SID) por 30 dias, junto ao repouso domiciliar. Após sete dias de tratamento, observou-se melhora progressiva na deambulação e, com 20 dias de tratamento, o réptil já apresentava resposta nociceptiva superficial e profunda. Conclusão: Apesar de traumas medulares em répteis serem de pouca ocorrência, é importante que os médicos veterinários de silvestres estejam preparados para diagnosticar e realizar o tratamento terapêutico adequado.

 

Palavras-chave: Trauma Medular. Radiodiagnóstico. Répteis.

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Publicado

05/06/2019

Edição

Seção

Diagnóstico por Imagem