Osteoartrose em Arara-híbrida (Ara sp.) – Relato de Caso

Autores

  • Beatriz Maccari Silva Zoológico Municipal Quinzinho de Barros
  • Leandro Silva Reis Zoológico Municipal Quinzinho de Barros
  • Matheus Vasconcellos Zoológico Municipal Quinzinho de Barros
  • André Luiz Mota da Costa Zoológico Municipal Quinzinho de Barros
  • Vanessa Silva Santana Universidade Federal Rural do Semi-árido
  • Fabiano Rocha Prazeres Júnior Universidade Federal Rural do Semi-árido
  • Emanuel Lucas Bezerra Rocha Universidade Federal Rural do Semi-árido

Resumo

Introdução: A arara híbrida ou catalina, como é conhecida popularmente, é um psitacídeo do gênero Ara e resultado do cruzamento entre as espécies Arara-vermelha (Ara chloropterus) e Arara-canindé (Ara ararauna). A osteoartrose é uma doença da cartilagem articular e sua causa pode ser multifatorial. O processo atinge inicialmente a cartilagem e, após, o osso subcondral. Clinicamente, é caracterizada por dor e limitação funcional da articulação acometida. Objetivou-se com o presente trabalho relatar o tratamento para osteoartrose utilizado em um exemplar de espécie de Arara-híbrida (Ara sp.) que é mantido sob cuidados humanos no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros (PZMQB) em Sorocaba , São Paulo.Método: Um indivíduo adulto do gênero Ara sp., pertencente ao plantel do PZMQB, foi encaminhado ao setor veterinário apresentando impotência funcional em membro posterior direito, edema e aumento de temperatura em articulação tibiotarso-tarsometatársica. Foi realizado exame radiográfico que evidenciou diminuição do espaço articular e osteófito subcondral, alterações compatíveis com osteoartrose. Foi instituído protocolo terapêutico com Meloxicam (0,5 mg/kg, IM, SID, 5 dias); Tramadol (10 mg/kg, IM, BID, 5 dias) e Condroitina+glicosamina na dose de ½ comprimido/animal, VO, SID, 2 meses. Após 10 dias do início da terapia, não houve melhora no quadro, sem regressão no processo inflamatório, sendo instituída então, terapia com Gabapentina (10mg/kg, VO, SID, por 2 meses). Sete dias após o início da nova terapia, o animal voltou a utilizar o membro normalmente, ocorrendo regressão da inflamação após dois meses.Resultados: Em aves, a literatura acerca das osteartroses e seu tratamento ainda é escassa. Em cães e gatos, sabe-se que todos os tecidos da articulação estão envolvidos no processo degenerativo, e a dor está comumente associada à doença. No presente relato, a associação de opióides e AINE’s não foi suficiente para tratar a dor do paciente, sendo necessária a utilização da gabapentina, que é comprovadamente eficaz no tratamento da dor neuropática e crônica. A associação de glucosamina e condroitina é o fármaco de escolha para regeneração articular, porém com uma resposta clínica a longo prazo. A gabapentina demonstrou-se uma importante terapia de resposta rápida permitindo que o animal voltasse a utilizar o membro até que a degeneração articular seja efetivamente tratada.Conclusão: O presente trabalho relatou um caso de osteoartrose em Arara-híbrida (Ara sp.) demonstrando a eficácia do tratamento adjuvante com Gabapentina para dor crônica articular.

Palavras-chave: Psitacídeo, dor, artropatia.

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Publicado

05/06/2019

Edição

Seção

Clinica e cirurgia