ASPERGILOSE EM FLAMINGO (Phoenicopterus chilensis) - RELATO DE CASO

Autores

  • Matheus Vasconcellos Zoológico Municipal Quinzinho de Barros
  • Leandro Silva Reis Zoológico Municipal Quinzinho de Barros
  • Beatriz Maccari Silva Zoológico Municipal Quinzinho de Barros
  • André Luiz Mota da Costa Zoológico Municipal Quinzinho de Barros
  • Emanuel Lucas Bezerra Rocha Universidade Federal Rural do Semi-árido
  • Fabiano Rocha Prazeres Júnior Universidade Federal Rural do Semi-árido
  • Marcelo Almeida de Sousa Jucá Médico Veterinário

Resumo

Introdução: O flamingo-chileno (Phoenicopterus chilensis) é uma espécie listada como “Quase Ameaçada” pela Red List da IUCN e é comumente encontrada em parques zoológicos por sua beleza e carisma com o público. Apesar disso, esta espécie se apresenta como um grande desafio aos zoos por ser de hábito gregário, com grande número de indivíduos, e por ter um manejo delicado e específico. O presente relato tem como objetivo relatar um caso de aspergilose em flamingo-chileno, evidenciando o manejo médico veterinário e suas dificuldades e o diagnóstico. Relato de caso: Às 17:45h do dia 07/03/2018, um indivíduo do grupo de flamingos do PZMQB foi observado afastado do resto do grupo, se mostrando apático e com desvio na conformação das rêmiges primárias do membro torácico esquerdo. Optou-se pela contenção física deste animal para avaliação médica, que evidenciou fratura exposta em porção distal do membro e estertor respiratório em sacos aéreos posteriores. O animal foi mantido com tala, analgesia com dexametasona 2mg/Kg/IM e antibioticoterapia com Enrofloxacino LA 15mg/Kg/IM/q 2 dias e foi solto junto ao bando até o dia seguinte. No dia 08/03 o animal foi anestesiado para realização de metacarpectomia do membro acometido. Realizado analgesia trans e pós operatória com morfina 2,5mg/Kg/IM, butorfanol 2mg/Kg/IM cetoprofeno 1mg/Kg/IM, vitamina E 70mg/Kg/IM, antifúngico preventivo trans-operatório com Anfotericina B 1,5mg/Kg/IV e manteve-se a antibioticoterapia. Durante o momento trans-operatório foi novamente auscultado som crepitante em região de sacos aéreos posteriores, porém sem alteração radiográfica na região. No momento de recuperação anestésica o animal apresentou deambulação e fadiga muscular compatíveis com miopatia, após recuperação anestésica o animal foi levado de volta ao recinto onde permanecia a maior parte do tempo em decúbito esternal e não acompanhava o bando, porém foi observado se levantando e se alimentando, apresentando dispneia em vários momentos. Foram realizadas limpeza de curativo e analgesia diários. No dia 10/03/18 animal foi encontrado em óbito no recinto. Durante realização de exame necroscópico foram observadas lesões em sacos aéreos abdominais, torácico caudais e torácico craniais, compatíveis com micose, sendo observados em lâmina microbiológica corpos de frutificação do gênero Aspergillus spp. Resultados: Os Phoenicopteriformes são uma ordem de aves com notável sensibilidade a estresse crônico quando sob cuidados humanos. Recintos ambientados onde estes indivíduos dividem espaço com outras espécies podem levar a relações interespecíficas agressivas, gerando traumas e uma imunomodulação negativa secundária ao estresse crônico, possibilitando infecções e infestações oportunistas. Este grupo apresenta diversas particularidades biológicas, assim sendo a constante observação, o manejo calmo e silencioso e uma adequada ambientação e população do recinto são de extrema importância para sua manutenção em cativeiro. Conclusão: O presente trabalho relatou um caso de aspergilose em flamingo, sendo evidenciada a dificuldade de seu diagnóstico in vivo e do manejo veterinário desta espécie.

Palavras-chave: Phoenicopteriformes. Ortopedia. Micologia. Comportamento.

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Publicado

05/06/2019

Edição

Seção

Clinica e cirurgia