Capacitação para o casqueamento bovino

Huber Rizzo

Resumo


O casqueamento bovino está diretamente relacionada a produção e bem-estar animal, sendo que sua realização por profissional capacitado irá prevenir e identificar enfermidades, propondo ações de manejo e/ou tratamento, indicando o prognóstico quanto a saúde e a produção. Recomenda-se o casqueamento funcional uma ou duas vezes ao ano, no entanto é comum que seja realizado apenas no surgimento de sinais muito evidentes de claudicação e desconforto, onde muitas vezes a avaliação do custo-benefício do tratamento, levará ao descarte. Quando realizado de maneira preventiva busca a restauração da distribuição de peso nos dígitos, retirada de tecido córneo excessivo e identificação e correção de lesões digitais, onde na avaliação clínica pré-casqueamento, o profissional poderá identificar lesões secundárias à laminite como; úlceras, abscessos, hematomas de sola, lesões de linha branca, sola dupla, erosão de talão, além de lesões de pele (dermatite digital e interdigital) e hiperplasias. O casqueamento corretivo deve promover remoção de tecido necrosado e focos de infecção, repouso/redução do apoio no solo, de áreas lesionadas ou do dígito inteiro transferindo maior apoio para o dígito sadio. A capacitação de profissionais para a realização do casqueamento pode ser realizada em três etapas, onde inicialmente é apresentado conteúdo teórico abordando a importância da saúde dos casos na eficiência produtiva, anátomo fisiologia dos aparelho locomotor, fatores predisponentes as afecções podais (instalações, ambiente, manejo, nutrição, genética e agentes infecciosos), métodos de contenção física e química, exame clínico, ferramentas diagnósticas, enfermidades, tratamento clínico e/ou cirúrgico e prevenção. Na etapa prática/teórica, com peças de abatedouro de membros na altura do carpo/tarso, é possível avaliar clinicamente as unhas/cascos (forma, coloração, medidas, angulações, linhas de estresse, aspectos da sola, talão, muralha e pele) e, após fixação do mesmo em mesa ou mourão, realizar procedimentos como: casqueamento (esmerilhadeira e turquesa), abertura de muralha e sola com rineta lâmina curva e Loop, lavagem intrarticular das falanges, aplicação de tamanco e bandagem impermeabilizante, além de procedimento cirúrgicos como extirpação de hiperplasia interdigital, amputação de dígitos, anquilose interfalangena distal, artrotomias, tenotomias e neurectomias. Pode-se ainda dissecar as peças identificando veias (metacárpica comum dorsal, radial, metacárpica palmar, safena lateral e digital plantar lateral), para a realização da anestesia de Bier ou antibiose intravenosa locorregional, e nevos (digital palmar/plantar medial, lateral e comum) para bloqueios. Imagens ultrassonográficas podem ser obtidas com os dígitos, visualizando estruturas sadias e simulando imagens de edemas e abscesso injetando líquidos no subcutâneo e articulações. Na última etapa a técnica é aplicada em animais com necessidade de casqueamento, que são derrubados, contidos com cordas e mantido em decúbito dorsal pontuando os cuidados e equipamentos necessários para a prevenção de traumas/acidentes (fraturas, luxações, timpanismo, refluxo ruminal seguido de aspiração, lesão plexo braquial). Pós contenção, o casco é inspecionado, casqueado com esmerilhadeira (11.000 rpm) e lixa de disco, buscando a angulação de pinça de 45 a 50ºC, proporção de muralha frontal e talão (2:1) e aspergido com solução de formol 2%. Deve-se usar luvas de couro e óculos para prevenir acidentes com a esmerilhadeira ou farpas/poeira do tecido córneo.

Palavras-chave


Claudicação, locomotor, podologia

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