RACISMO ESTRUTURAL BRASILEIRO: UM CRIME QUASE PERFEITO

Autores

  • Acauam Oliveira Universidade de São Paulo

Resumo

Assim como a ditadura brasileira, nas reflexões de Safatle e Teles (2015), caracterizo o racismo no Brasil como um crime perfeito: sem memória, explícito e que estrutura as relações sociais. Com origem no pior modelo de abolicionismo (as políticas de branqueamento e a exclusão social sistemática), disfarçado na valorização do processo de mestiçagem da população, o racismo estrutural apaga a oposição branquitude e negritude, desqualifica a militância, silencia o protagonismo da pessoa negra e o pior: mata. Defendo que a identidade étnica é determinada pelas relações de poder e a violência: o não branco é aquele que morre e o branco é aquele que pode matar. No entanto, o racismo é um crime QUASE perfeito. Ele só não é um crime perfeito porque, se é verdade que o racismo é uma máquina de morte, não é menos verdadeiro que o negro aprendeu como se tornar uma poderosa tecnologia de resistência.

Biografia do Autor

Acauam Oliveira, Universidade de São Paulo

Doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo - USP.

Referências

ALMEIDA, Silvio. Racismo estrutural. São Paulo, Pólen Produção Editorial LTDA, 2019.

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TELES, Edson; SAFATLE, Vladimir Pinheiro. O que resta da ditadura: a exceção brasileira. São Paulo, Boitempo Editorial, 2015.

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Publicado

21/04/2021

Como Citar

OLIVEIRA, A. RACISMO ESTRUTURAL BRASILEIRO: UM CRIME QUASE PERFEITO. Revista Areia, [S. l.], v. 1, n. 4, p. p. 115 – 126, 2021. Disponível em: https://www.seer.ufal.br/index.php/rea/article/view/12079. Acesso em: 20 set. 2021.

Edição

Seção

Ensaios