DE BENTINHO A CASMURRO:

UM OLHAR SOB A PERSPECTIVA DO ROMANCE DE FORMAÇÃO

Autores

  • Débora Silva Moreira Universidade Federal de Alagoas
  • Roberto Sarmento Lima Universidade Federal de Alagoas

Palavras-chave:

Bildungsroman. Formação. Personagem.

Resumo

O romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, ao longo de cento e vinte um anos de existência, tem sido investigado pela crítica literária sob diversas perspectivas pelo fato de apresentar características inquietantes e predominantemente marcadas pelo “realismo psicológico”. A obra é narrada por Bento Santiago, que, na condição de casmurro, apresenta fatos de sua vida desde a infância até a fase adulta. Nesse sentido, o romance é construído a partir de um discurso em que predomina a ocultação de fatos por parte do narrador, com o fim de moldar as possíveis impressões que o leitor poderia ter a seu respeito e, na mesma medida que molda essas impressões, forma a personalidade que ele deseja apresentar. Diante disso, o presente trabalho visa analisar o desenvolvimento da personagem Bentinho sob a perspectiva de estudo do romance de formação, em alemão Bildungsroman. O romance de formação é compreendido como uma modalidade de romance que considera a trajetória da vida do protagonista em todas as suas fases e evidencia seu desejo pela formação, pela adequação ao mundo e pela socialização. Assim, considerando a trajetória apresentada no discurso de Dom Casmurro, os estudos de Franco Moretti (1999) e as considerações de Bakhtin (1997), a respeito do romance de formação, o reconhecemos como uma chave de leitura possível para a compressão do narrador e personagem machadiana Bento Santiago.

Biografia do Autor

Débora Silva Moreira, Universidade Federal de Alagoas

CV: http://lattes.cnpq.br/9779345935324095

Roberto Sarmento Lima, Universidade Federal de Alagoas

CV: http://lattes.cnpq.br/5737261319091574

Referências

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Publicado

15/11/2021

Como Citar

MOREIRA, D. S.; LIMA, R. S. DE BENTINHO A CASMURRO: : UM OLHAR SOB A PERSPECTIVA DO ROMANCE DE FORMAÇÃO. Revista Areia, [S. l.], v. 4, n. 5, p. 176–196, 2021. Disponível em: https://www.seer.ufal.br/index.php/rea/article/view/12458. Acesso em: 17 ago. 2022.