“Começo, meio e começo”: maternidades e trajetórias nas encruzilhadas de saberes

Autores

  • Marina Guimarães Vieira UFBA
  • Jade Alcântara Lôbo Universidade Federal de Santa Catarina
  • Sueli Maxakali

DOI:

https://doi.org/10.28998/rm.2021.n.especial.10502

Palavras-chave:

Contra-Colonização, Autoetnografia, Afroindígena, Maternidade, Conhecimento

Resumo

O objetivo deste artigo é refletir sobre algumas experiências de “contra-colonização” (SANTOS, 2015) do conhecimento, através da produção autoetnográfica centrada nos saberes de três mulheres que ocupam lugares de fala heterogêneos. Os encontros entre nós foram propiciados pelo envolvimento acadêmico, e produziram efeitos tanto nos espaços acadêmicos por nós percorridos quanto no espaço-tempo de outras esferas de nossas vidas. Nos ancoramos, principalmente, nos experimentos realizados no âmbito de disciplinas regulares vinculadas à projetos de extensão entre 2018 e 2019, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Apresentamos reflexões etnograficamente fundamentadas sobre as tensões e “confluências” experimentadas, as relações entre “saberes orgânicos” e “saberes sintéticos” (Ibid), e a adoção, pelos participantes, do vocabulário ensinado por mestras e mestres que atuaram como professores visitantes na UFBA.

Referências

AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Pólen Produção Editorial LTDA, 2019.

ASSIS, Tainã. Terra Cantada Maxakali (Tikmu’un). Dissertação de mestrado. PPGA/UFBA. Salvador, 2017.

BARRETO, João Paulo Lima et al. Wai-Mahsã: peixes e humanos. Um ensaio de Antropologia Indígena. Dissertação de mestrado. UFAM. Manaus, 2013.

CARNEIRO, Aparecida Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. 2005. Tese de Doutorado.

CAMÊRA DOS DEPUTADOS. CPI Assassinato de Jovens. Disponível em: <http://www12.senado.leg.br/noticias/arquivos/2016/06/08/veja-a-integra-do-relatorio-da-cpi-do-assassinato-de-jovens>. Acesso em: 10 jun. 2018.

COLLINS, Patricia Hill. “Aprendendo com a outsider within: a significação sociológica do pensamento feminista negro”. Sociedade e Estado, v. 31, n. 1, p. 99-127, 2016.

ESSED, Philomena. Understanding Everyday Racism. An Interdisciplinary Theory. Lodon: Routledge, 1991.

FANTÁSTICO (Brasil) (org.). João Pedro mandou mensagem para mãe momentos antes de ser baleado: 'Estou dentro de casa. Calma'. G1. Rio de Janeiro, p. 0-0. 25 maio 2020. Disponível em: <https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/05/25/joao-pedro-mandou-mensagem-para-mae-momentos-antes-de-ser-baleado-estou-dentro-de-casa-calma.ghtml> Acesso em: 9 jun. 2020.

hooks, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática de liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2013.

GOLDMAN, Marcio. Os tambores dos mortos e os tambores dos vivos. Etnografia, antropologia e política em Ilhéus, Bahia. Rev. Antropologia, São Paulo, v. 46, n. 2, 2003. p. 446-476.

KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Editora Cobogó, 2019.

Lôbo, Jade Alcâtara. “Defeito de Fabricação”: maternidades negras em Ilhéus, BA. Dissertação de Mestrado. UFBA. Salvador, 2020.

MAXAKALI, Isael e Sueli. “Desta terra, para esta terra”. Catálogo Fórum.Doc.BH, 2017. Disponível em https://www.forumdoc.org.br/catalogo-forumdoc-bh-2017/

MECHERIL, Paul. Halb-halb. iza, Zeitschrift fur Migration und Sozial Arbeit, thema 3-4, 1997.

MAXAKALI, Sueli. Koxuk Xop Imagem. Beco do Azougue Editorial, 2009.

MAXAKALI, Sueli et al. Hitupmã’ ax / Curar. Literaterras. Faculdade de Letras da UFMG, 2009.

MISSAGIA de MATTOS, Izabel. Civilização e revolta: povos botocudo e indigenismo missionário na província de Minas. Tese de doutorado. Campinas: Unicamp, 2002.

PARAÍSO, Maria Hilda Barqueiro. O tempo da dor e do trabalho. A conquista dos territórios indígenas nos sertões do leste. Tese de doutorado. São Paulo: USP,1998.

RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala?. Letramento Editora e Livraria LTDA, 2018.

SANTOS, Antonio Bispo dos. Colonização, quilombos: modos e significações. Brasília. INCTI, UnB, 2015.

_________________________. Somos da terra. PISEAGRAMA, Belo Horizonte, número 12, página 44 - 51, 2018.

SANTOS, S. Boaventura. Pela mão de Alice. São Paulo: Cortez Editora, 1995.

TODD, Zoe. Uma interpelação feminista indígena à “Virada Ontológica”: “ontologia” é só outro nome para colonialismo. Blog GEAC, 2015.

VIEIRA, Marina Guimarães. Guerra, ritual e parentesco entre os Maxakali: um esboço etnográfico. Dissertação de Mestrado. Museu Nacional / UFRJ. Rio de Janeiro, 2006.

______________________. Virando inmõxã: uma análise integrada da cosmologia e do parentesco maxakali a partir dos processos de transformação corporal. Amazônica n 1, vol 2: p 308-329, 2009

______________________. “A gente não faz mais guerra, agora a gente está pensando”: xamanismo e educação escolar entre os Maxakali. Cadernos de Campo, n 19, p135-150, 2010.

______________________. “A descoberta da cultura pelos Maxakali e seu projeto de pacificação dos brancos. In: Políticas Culturais e Povos Indígenas. M. Carneiro da Cunha & P. N. Cesarino (ORGS.). São Paulo: Cultura Acadêmica, 2014.

WAGNER, Roy. The Invention of Culture. Chicago: University of Chicago Press, 1981.

Downloads

Publicado

17/12/2021

Edição

Seção

Encontro de Saberes: Transversalidades e Experiências