Nos tempos dos charutos prateados: ressonâncias em torno do reconhecimento do Campo do Jiquiá como um patrimônio histórico do Recife

Autores

  • Rafael De Oliveira Rodrigues programa de Pós Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Alagoas (PPGAS/UFAL).
  • Roberta De Sousa Mélo Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF).

DOI:

https://doi.org/10.28998/rm.2018.n.5.5531

Palavras-chave:

Zeppelins. Campo do Jiquiá. Recife. Patrimônio histórico

Resumo

O principal objetivo deste artigo é promover uma reflexão sobre as diferentes apropriações e ressonâncias promovidas a partir do reconhecimento de uma área da cidade do Recife como patrimônio histórico, tomando dois contextos distintos: o tombamento da área, no ano de 1983, e um posterior projeto de requalificação, em 2009. O local em questão é o Campo do Jiquiá, conhecido na cidade por ter sua história relacionada à passagem dos dirigíveis zeppelins na década de 1930. Para o alcance do objetivo proposto, foi realizada uma etnografia entre os anos de 2009 e 2011, tendo como base a utilização de dados secundários, como documentos em jornais e fotografias, e primários, como entrevistas em longa duração. Concluímos observando que o reconhecimento da área como patrimônio histórico, somado aos projetos de requalificação, promovem dois tipos distintos de ressonâncias, uma afetiva e outra instrumental.

Biografia do Autor

Rafael De Oliveira Rodrigues, programa de Pós Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Alagoas (PPGAS/UFAL).

Professor adjunto na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Doutor em Antropologia pelo programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS/UFSC). Mestre em Antropologia Social pelo mesmo Programa de Pós-Graduação (PPGAS/UFSC). Cientista Social pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Bolsista pelo Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE/CAPES) na Sapienza Università di Roma. Tem experiência nas áreas de Etnologia dos povos indígenas do Nordeste do Brasil, Antropologia Urbana, Patrimônio Cultural, Ambiental e Museus.

Roberta De Sousa Mélo, Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF).

Professora Adjunta da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), responsável pela disciplina Antropologia e Sociologia da Atividade Física e do Esporte e coordenadora do Núcleo Temático Educação, Cultura e Movimento. Concluiu o curso de bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e possui Mestrado (2006) e Doutorado (2012) pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da mesma instituição. Faz parte do corpo docente do PPGEF - Programa de Pós-Graduação em Educação Física da UNIVASF, sendo responsável pela disciplina Aspectos Socioantropológicos das Práticas Corporais. É líder do LECCORPO - Laboratório de Estudos da Cultura Corporal (CNPq). É autora do livro Da visibilidade dos corpos disformes: um estudo sobre cirurgias cosméticas mal sucedidas, título indicado e aprovado para publicação pelo Edital 2012 da Coleção Teses e Dissertações Propesq/Editora Universitária UFPE. Publicou 6 artigos e 2 capítulos de livros. É orientadora de 4 dissertações de Mestrado e concluiu a orientação de 2 trabalhos de conclusão de curso na área da Educação Física. Participou de 5 projetos de pesquisa, exercendo atualmente a função de coordenadora em 2 deles. Atua na área da Sociologia com interesse nos seguintes temas: Práticas corporais, Cultura e Subjetividade; Aspectos Socioantropológicos da Atividade Física e Esportes; Corpo e Questões de Gênero

Referências

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Outras fontes consultadas

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Publicado

17/04/2019

Edição

Seção

Cidades Comparadas: Estudos em Contextos Urbanos Contemporâneos