Pela Reforma, Contra a Revolução: Notas sobre Reformismo e Colaboracionismo na História do Movimento Operário Brasileiro da Primeira República

Autores

  • Tiago Bernardon de Oliveira Universidade Estadual da Paraíba

DOI:

https://doi.org/10.28998/rchvl2n05.2012.0003

Resumo

Não obstante os avanços e consolidações da historiografia social do trabalho no Brasil, a abordagem sobre correntes políticas tidas como reformistas no interior do movimento operário brasileiro, especialmente o da Primeira República, permanecem relativamente marginalizadas se comparadas aos estudos dedicados às correntes autoproclamadas revolucionárias. No entanto, suas ações, estratégias, embates com adversários e relações estabelecidas com o poder público são cruciais para se compreender a complexa trajetória das formas de organização coletiva dos trabalhadores brasileiros. Ancorado, principalmente, na análise historiográfica, este artigo pretende levantar algumas breves questões sobre o sindicalismo reformista e suas relações com o Estado da Primeira República em perspectiva nacional (ou seja, para além dos casos regionais mais estudados do centro-sul), procurando discutir, assim, o estabelecimento de uma cultura política em meio à dinâmica da luta de classes no país, com implicações em períodos subsequentes.

Biografia do Autor

Tiago Bernardon de Oliveira, Universidade Estadual da Paraíba

História

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Publicado

01/07/2012

Como Citar

de Oliveira, T. B. (2012). Pela Reforma, Contra a Revolução: Notas sobre Reformismo e Colaboracionismo na História do Movimento Operário Brasileiro da Primeira República. Revista Crítica Histórica, 3(5). https://doi.org/10.28998/rchvl2n05.2012.0003