Inquisição e status social: processos de habilitação de Familiares do Santo Ofício que não se enquadravam às normas (Rio de Janeiro, segunda metade do século XVIII)

Autores

  • Roberta Cristina da Silva Cruz

DOI:

https://doi.org/10.28998/rchvl7n14.2016.0002

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo examinar a obtenção da carta de Familiar do Santo Ofício por indivíduos que não se enquadravam às normas. Temos como enfoque casos em que os habilitandos já tinham laços de parentesco com outros Familiares e conseguiram a patente apesar de apresentarem impedimentos, como o de Francisco Rodrigues da Cunha que havia se declarado excomungado em Minas Gerais e andava em concubinato com uma negra; Diogo Luís Moreira (1771), negociante, solteiro, com suspeição de cristão-novo descartada, mas fundamentada a de mulato; e de Francisco José Estrela (1773) que dizia ser homem de negócios, mas não era verdade, não tinha cabedal e “... não vive limpa e abastadamente...” segundo uma das testemunhas inquiridas em seu processo.

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Publicado

31/12/2016

Como Citar

Cruz, R. C. da S. (2016). Inquisição e status social: processos de habilitação de Familiares do Santo Ofício que não se enquadravam às normas (Rio de Janeiro, segunda metade do século XVIII). Revista Crítica Histórica, 7(14). https://doi.org/10.28998/rchvl7n14.2016.0002