“Deixar de votar é votar no inimigo”: Igreja e imprensa católica na construção do eleitor no Rio Grande do Sul (1945-1950)

Douglas Souza Angeli

Resumo


Objetivando compreender a mobilização visando à construção do eleitor no período inicial da experiência democrática, ou seja, a construção de um interesse pelo ato de votar no momento de retorno das eleições, de criação de partidos políticos nacionais e de ampliação significativa do eleitorado inscrito, o presente artigo analisa a atuação de agentes específicos nesse trabalho de mobilização: a Igreja Católica, a Liga Eleitoral Católica e a imprensa católica. O estudo tem como recorte espacial o Rio Grande do Sul e como fontes os jornais Correio Rio-Grandense e Jornal do Dia, bem como o Unitas – boletim da província eclesiástica do Rio Grande do Sul. Para tais agentes, nesse momento de ampliação da participação eleitoral, como deveria se comportar o eleitor católico? Quais sentidos eram atribuídos ao ato de votar? A construção do eleitor católico é impelida com base em um discurso marcadamente anticomunista, articulado às estratégias de posicionamento da Igreja perante o Estado e às práticas de mobilização do clero e da Liga Eleitoral Católica visando ao alistamento e ao voto.

Palavras-chave: Construção do eleitor; Imprensa católica; Liga Eleitoral Católica.


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DOI: https://doi.org/10.28998/rchvl10n20.2019.0004

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