Biblioterapia na produção científica stricto sensu no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.28998/cirev.2021v8n3a

Palavras-chave:

Biblioterapia. Competências do bibliotecário.

Resumo

Percebe-se que qualquer área do conhecimento, desde a sua gênese, norteia-se com base em paradigmas moldados pelas transformações sociais. Diante deste cenário, a profissão do bibliotecário vem sofrendo também inúmeras transformações oriundas das necessidades que envolvem seus usuários. A Biblioteconomia pode ser entendida como um campo científico que se preocupa em dar acesso a documentos, sendo caracterizada pelo enfoque material (das coleções  de documentos), enfoque organizacional (relacionado a infraestrutura física e administrativa da biblioteca), enfoque  intelectual (tratamento informacional dado aos documentos para que possam ser recuperados) e o enfoque do usuário.  Neste sentido, surge como uma nova possibilidade de atuação a biblioterapia que consiste na adoção da leitura no tratamento de pacientes com algum tipo de transtorno psíquico ou psicológico. Por ser um ramo de atividade do  bibliotecário ainda pouco explorado, pretende-se responder à seguinte questão de pesquisa: como a biblioterapia tem sido abordada na produção científica stricto sensu no Brasil? A pesquisa é caracterizada como qualitativa, com objetivos  exploratório e descritivo e avaliou as teses e dissertações disponíveis nas bibliotecas digitais de teses e dissertações da  Capes e do Ibict. Com a análise dos resultados, foi possível concluir que a biblioterapia tem sido pouco explorada na  Ciência da Informação, o que demanda um esforço conjunto de pesquisadores e instituições de ensino para consolidar o  estudo desta disciplina na perspectiva do bibliotecário.

Biografia do Autor

Cristiano Moreira, Universidade Federal de Minas Gerais

Possui graduação em ciências contábeis pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2007). Especialista em Finanças e Controladoria pela Universidade Federal de Minas Gerais (1º/2008), Mestre em Economia de Empresas pela Fead/MG (01º/2011), Doutorando em Gestão e Organização do conhecimento (UFMG) e graduando em Biblioteconomia (Claretiano). 

Raíssa Yuri Hamanaka, Universidade Estadual de Londrina

Doutoranda em Ciência da Informação PPGCI-UEL. Mestre em Gestão e Organização do Conhecimento PPGGOC-UFMG (2018-2019), bacharel em Biblioteconomia pela ECI-UFMG (2014-2017), técnica em Informática pela Escola Técnica Vital Brasil (2011-2013). Tem interesse em temas relacionados a organização do conhecimento e da informação, Sistemas de Organização do Conhecimento (SOCs), modelagem de processos, gestão de processos de negócio, metodologias de gestão de processos, gestão de dados, e-Science, curadoria digital, repositórios digitais e dados de pesquisa.

Referências

ALMEIDA, E. M. et al. Biblioterapia: o bibliotecário como agente integrador e socializador da informação. Múltiplos Olhares em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 3, n. 2, 2013.

ALVES, M. H. H. A aplicação da Biblioterapia no processo de reintegração social. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v. 15, n. 1/2, p. 54-61, jan./jun. 1982.

BRASIL. Ministério de Educação e Cultura. Resolução CNE/CES 492/2001, de 03 de abril de 2001. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Filosofia, História, Geografia, Serviço Social, Comunicação Social, Ciências Sociais, Letras, Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia. Diário Oficial da União, Brasília, 09 de julho de 2001.

BRASIL. Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004. Institui o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior-SINAES e dá outras providências. Diário Oficial da União, n. 72, 2004.

CALDIN, C. F. A leitura como função terapêutica: biblioterapia. Encontros Bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da informação, v. 6, n. 12, p. 32-44, 2001.

CAREGNATO, S. E. O desenvolvimento de habilidades informacionais: o papel das bibliotecas universitárias no contexto da informação digital em rede. Revista de Biblioteconomia e Comunicação, v. 8, p. 47-55, 2000.

CARVALHO, Maria C.; MOTTA, R. T.; FERNANDES, C. A. A preservação de acervos de bibliotecas e sua importância na atualidade: a ótica dos bibliotecários da UFMG. Informação & Sociedade: estudos, v. 15, n. 1, 2005.

GADELHA, J. S.; TANUS, G. F. S. Biblioterapia: análise dos artigos indexados na Base de Dados em Ciência da Informação (BRAPCI). Ciência da Informação em Revista, v. 6, n. 1, p. 159-176, 2019.

GARCEZ, E. M. S.; RADOS, G. J. V. Biblioteca híbrida: um novo enfoque no suporte à educação a distância. Ciência da Informação, v. 31, n. 2, p. 44-51, 2002.

GARCIA, J. C. R. Preservação das memórias: marca da Biblioteconomia. Informação & Sociedade: estudos, João Pessoa, v. 15, n. 2, 2005.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1994.

LAURINDO, K. R. et al. Empresas criadas por bibliotecários no Brasil: uma análise em relação ao perfil e ramos de atuação. Revista ACB, v. 21, n. 3, p. 676-696, 2016.

LE COADIC, Y. F. A Ciência da Informação. 2. ed. rev. e atual. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2004. 124 p.

LIMA, T. C. S.; MIOTO, R. C. T. Procedimentos metodológicos na construção do conhecimento científico: a pesquisa bibliográfica. Revista Katálysis, v. 10, n. SPE, p. 37-45, 2007.

MARCONDES, C. H. Interoperabilidade entre acervos digitais de arquivos, bibliotecas e museus: potencialidades das tecnologias de dados abertos interligados. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 21, n. 2, p. 61-83, 2016.

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

MCLAINE, S. Looking Beyond Traditional Bibliotherapy: A New View. Journal of the Australian Library and Information Association, v. 66, n. 3, p. 306-307, 2017.

MCNICOL, S. The potential of educational comics as a health information medium. Health Information & Libraries Journal, v. 34, n. 1, p. 20-31, 2017.

MERGA, M. How can school libraries support student wellbeing? Evidence and implications for further research. Journal of Library Administration, v. 60, n. 6, p. 660-673, 2020.

MIRANDA, A.; OLIVEIRA, C. L.; SUAIDEN, E. J. A biblioteca híbrida na estratégia da inclusão digital na Biblioteca Nacional de Brasília. 2008.

MUELLER, S. P. M. et al. Perfil do bibliotecário, serviços e responsabilidades na área de informação e formação profissional. Revista de Biblioteconomia de Brasília, v. 17, n. 1, p. 63-70, 1989.

OLIVEIRA, M. (Org.). Ciência da Informação e Biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de atuação. 2. ed. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2011. 139 p.

PANELLA, N. Guidelines for libraries serving hospital patients and the elderly and disabled in long-term care facilities. Hague: IFLA Headquarters, 2000.

PINHEIRO, M. I. S.; RAMIRES, D. D. Biblioterapia: das dissertações e teses aos cursos de Biblioteconomia no Brasil. Ciência da Informação em Revista, v. 7, n. 1, p. 153-167, 2020.

PINTO, V. B. A biblioterapia como campo de atuação para o bibliotecário. 2005.

PIZZANI, L et al. A arte da pesquisa bibliográfica na busca do conhecimento. RDBCI: Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 10, n. 2, p. 53-66, 2012.

RIBEIRO, N. C. R.; LÜCK, E. H. Biblioterapia em tempos de COVID-19. Revista Brasileira de Educação em Ciência da Informação, v. 7, n. especial, p. 24-53, 2020.

RIORDAN, R. J.; WILSON, L. S. Bibliotherapy: does it work? Journal of Counseling & Development, v. 67, n. 9, p. 506-508, 1989.

SANTAANNA, J.; CALMON, M. A. M.; CAMPOS, S. O. A percepção do aluno iniciante e do aluno concluinte do Curso de Biblioteconomia de uma universidade a respeito do bibliotecário: enfoque na atuação profissional. Biblos, v. 31, n. 2, p. 130-146, 2017.

SOUSA, C.; CALDIN, C. F. Biblioterapia e Hermenêutica: revisitando Gadamer e Ouaknin. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 23, n. 2, p. 174-188, 2018.

VALENCIA, M. C. P.; MAGALHÃES, M. C. Biblioterapia: síntese das modalidades terapêuticas utilizadas pelo profissional. Biblos, v. 29, n. 1, 2015.

VIGUERA, Y. C. Bibliotherapy and selection of information sources: a field of activity for library and information science professionals. Bibliotecas: Análes de Investigación, v. 13, n. 1, p. 82-95, 2017.

VILLA BARAJAS, H.; ALFONSO SÁNCHEZ, I. R. Biblioteca híbrida: el bibliotecario en medio del tránsito de lo tradicional a lo moderno. Achimed, v. 13, n. 2, p. 1-1, 2005.

Downloads

Publicado

18/02/2022

Como Citar

Moreira, C., & Hamanaka, R. Y. (2022). Biblioterapia na produção científica stricto sensu no Brasil. Ciência Da Informação Em Revista, 8(3), 3–19. https://doi.org/10.28998/cirev.2021v8n3a

Edição

Seção

Artigos Originais | Original Articles