Sociedade de marcação: Corpo, conhecimento e experiência na infância Capuxu

Autores

  • Emilene Leite Sousa UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO/UFMA

Palavras-chave:

conhecimento, corpo, pessoa, experiência, trabalho

Resumo

Neste artigo busco analisar o conhecimento e os processos nativos de aprendizagem na infância Capuxu que contribuem para produzir o corpo e a pessoa. O povo Capuxu é um grupo camponês endogâmico do sertão da Paraíba. A aprendizagem Capuxu está fortemente associada a aprendizagem para o trabalho, seja ele no roçado ou no âmbito da casa, afora a aprendizagem escolar. Neste sentido o corpo da criança é produzido pelo e para o trabalho e os modos de conhecer passam inevitavelmente pelos sentidos e pela experiência. Neste caso, conhecer é saber-fazer e do saber-fazer camponês dependem o ethos e a identidade Capuxu. Assim, o conhecimento é adquirido através da experiência e esta é vivenciada pelo corpo, transformando a comunidade Capuxu numa sociedade de marcação (Clastres, 2003) uma vez que a condição camponesa se inscreve no corpo através de processos próprios de aprendizagem e trabalho. Com base nisso é que compus uma etnografia da construção do conhecimento por meio do corpo e da experiência com o trabalho na infância entre o povo Capuxu, para quem o corpo é o lugar onde o saber torna-se um fazer.

Biografia do Autor

Emilene Leite Sousa, UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO/UFMA

Mestre em Sociologia/UFPB

Doutora em Antropologia Soccial/UFSC

Professora Adjunta da UFMA

Curso de Jornalismo

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Publicado

14/05/2018

Como Citar

Sousa, E. L. (2018). Sociedade de marcação: Corpo, conhecimento e experiência na infância Capuxu. Latitude, 10(2). Recuperado de https://www.seer.ufal.br/index.php/latitude/article/view/2580

Edição

Seção

Dossiê "Ser criança no Brasil de hoje: (re)invenções da infância em contextos de mudança social"