A questão da medicalização como um atravessamento à inclusão escolar

Autores

  • Fábio Henrique Silva UFMG
  • Mônica Maria Farid Rahme Universidade Federal de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.28998/2175-6600.2022v14n34p66-85

Palavras-chave:

Deficiência Intelectual, Medicalização], Inclusão

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar a questão da medicalização no campo educacional, interpelando se esta constitui-se como um impasse para o processo de inclusão escolar. Para tanto, focalizaremos, inicialmente, elementos históricos sobre a deficiência e mapearemos discursos acerca da deficiência mental/intelectual Em seguida, desenvolveremos o tema da medicalização e avançaremos no sentido de questionar como esse fenômeno pode interferir nas práticas instituídas no cotidiano escolar. Por fim, abordaremos fragmentos de uma pesquisa de campo, apresentando os discursos de profissionais da educação e da saúde concernentes à não aprendizagem, que indicam uma confluência interpretativa entre os dois campos e desvelam os meandros da medicalização da queixa escolar

Biografia do Autor

Fábio Henrique Silva, UFMG

Doutorando em Psicologia UFMG

Referências

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-IV-TR tm - texto revisado. 4.ed., [rev.]. Porto Alegre: Artmed, 2002.

AMERICAN ASSOCIATION ON MENTAL RETARDATION. Retardo mental: definição, classificação e sistemas de apoio. 10ed. Porto Alegre : Artmed, 2006.

ANTUNES, Mitsuko Aparecida M. Psicologia e Educação no Brasil: uma análise histórica. In: AZZI, Roberta G.; GIANFALDONI, Mônica Helena T. A. Psicologia e Educação. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011, p. 9-31.

BERCHERIE, Paul. A clínica psiquiátrica da criança: Estudo histórico. In: CIRINO, Oscar. Psicanálise e psiquiatria com crianças: Desenvolvimento ou estrutura. Belo Horizonte: Editora autêntica, 2001, p.127-144.

BEZERRA, Milene Ferreira; MARTINS, Paulo César Ribeiro. A concepção de deficiência intelectual ao longo da história. In: Interfaces da Educação. Paranaíba, v1., n.3, p. 73-84, 2010.

BROGNA, Patricia. Las reprentaciones de la discapacidad: la vigencia del passado en las estructuras sociales presentes. In: . Brogna, Patricia (org.). Visiones e revisiones de la discapacidad.Trad. Ventura, Mariano Sanchéz. México, 2009, p.157-187.

CAMPOS, Regina Helena de F. Psicologia e Educação no Brasil no início do século XX: o diálogo com especialistas europeus, o olhar sobre a cultura brasileira. In: AZZI, Roberta G.; GIANFALDONI, Mônica Helena T. A. Psicologia e Educação. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011, p. 33-49.

CANGUILHEM, Georges. O cérebro e o pensamento. In: Natureza Humana. São Paulo, v. 8, n. 1, p. 183-210, jan./jun. 2006.

CARNEIRO, Maria Sylvia C. Deficiência intelectual como produção social: reflexões a partir da abordagem histórico-cultural. In: Reunião anual da ANPEd, 37, 2015, Florianópolis. P. 1-17. Disponível em: www.anped.org.br. Acesso em 03-12-2016.

DINIZ, Débora. O que é deficiência. São Paulo: Brasiliense, 2007.

FOUCAULT, Michel. Historia de la medicalización. Educación médica y salud, v. 11, n. 1, p. 3-25, 1977.

GAUDENZI, Paula; ORTEGA, Francisco. Problematizando o conceito de deficiência a partir das noções de autonomia e normalidade. Ciência e Saúde, v. 21, n. 10, p. 3061-3070, 2016.

GILL, Rosalind. Análise de discurso. In: Bauer, Martin W. & Gaskell, George (org.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes, 2002, p. 244-270.

HELSINGER, Natasha M. A concepção normativa do funcionamento psíquico e os processos de subjetivação: o cérebro na era da pós-psicanálise. Revista Epos [online], v..6, n.1, p. 4-34, 2015. Disponível em:

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S2178-700X2015000100002

Acesso: 18-12-2021.

JATOBÁ, Carla. Itinerário da educação primária pública francesa: da Sociedade Livre para o Estudo Psicológico da criança em Alfredo Binet. In: Às sombras das escalas: um estudo sobre a concepção de anormalidade em Alfred Binet. BH: Fino Traço, 2016.

PACHECO, Kátia; ALVES, Vera Lúcia. A história da deficiência, da marginalização à inclusão social: uma mudança de paradigma. ACTA FISIATR; v.14, n. 4, p. 242 – 248, 2007.

PATTO, Maria Helena de S. A produção do fracasso escolar: histórias de submissão e rebeldia. São Paulo: Editora Intermeios, 2015.

PESSOTTI, Isaías. Deficiência mental: da superstição à ciência. SP: T. A. Queiroz Editor, 1984.

PETERSEN, Laenia M. Diferenças individuais: contribuições dos estudos de Alfred Binet para a reforma educacional mineira (1925-1940). 2021. Tese (Programa de Pós-Graduação em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2021.

PLAISANCE, Eric. Tema em destaque: ética e inclusão. Cadernos de Pesquisa, v. 40, n. 139, p.13-43, jan./abr. 2010.

ROSSATO, Solange Pereira Marques; LEONARDO, Nilza Sanches Tessaro. A deficiência intelectual na concepção de educadores da Educação Especial: contribuições da psicologia histórico cultural. In: Revista Brasileira de Educação Especial. Marília, v.17, n.1, p. 71-86, jan./abr. 2011.

SALVADOR, César Coll & Cols. A psicologia da educação e a psicologia do ensino. In: ______. Psicologia do Ensino. Porto Alegre: Artmed, 2000, p 21-77.

SILVA, Carla M.. Deficiência intelectual no Brasil: uma análise relativa a um conceito e aos processos de escolarização. 2016. 1Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2016.

SILVA, Carla M.; BAPTISTA, Claudio Roberto. Patologização e medicalização da vida: infância e os processos de escolarização. In: CECCIM, Ricardo B.; FREITAS, Cláudia R.

Fármacos, remédios, medicamentos: o que a educação tem com isso? Porto Alegre: Editora Rede Unida, v. I, 2021, p.53-64.

Downloads

Publicado

27/04/2022

Como Citar

SILVA, F. H.; RAHME, M. M. F. A questão da medicalização como um atravessamento à inclusão escolar . Debates em Educação, [S. l.], v. 14, n. 34, p. 66–85, 2022. DOI: 10.28998/2175-6600.2022v14n34p66-85. Disponível em: https://www.seer.ufal.br/index.php/debateseducacao/article/view/13297. Acesso em: 12 ago. 2022.

Edição

Seção

Dossiê: Infância, narrativa e educação: diálogos pela alteridade