A reforma do “novo Ensino Médio”: uma interpretação para o ensino de ciências com base na pedagogia histórico-crítica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.28998/2175-6600.2020v12n26p242-260

Palavras-chave:

Reforma do Ensino Médio, Novo Ensino Médio, Ensino de Ciências, Pedagogia Histórico-Crítica.

Resumo

Neste artigo fazemos um estudo teórico de análise da Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, que legisla sobre a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral, mais conhecida como a Reforma do Novo Ensino Médio. Apresentamos, aqui, os artigos da medida que mais impactaram no Ensino Médio: o aumento da carga horária anual de 800h para 1400h; a escolha dos estudantes por itinerários formativos específicos; a inserção de profissionais com “notório saber” e as regras de financiamento da educação pública. Argumentamos, de acordo com a Pedagogia Histórico-Crítica como essas mudanças afetam a educação e, particularmente, o Ensino de Ciências, negativamente - na perspectiva da formação integral -, acentuando a diferença entre escolas públicas e particulares e prejudicando, principalmente, os filhos e filhas da classe trabalhadora do nosso país, que dependem de um ensino público, gratuito e socialmente referenciado.

Biografia do Autor

Bárbara Carine Soares Pinheiro, Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Licenciada em Química UFBA, Mestre e Doutora em Ensino, Filosofia e História das Ciências UFBA/UEFS. Professora Adjunta do Instituto de Química da UFBA

Neima Alice Menezes Evangelista, Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Bióloga. Doutoranda no programa de Ensino, Filosofia e História das Ciências.

Edilson Fortuna de Moradillo, Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Bacharel e licenciado em Químca pela UFBA, doutor em Ensino, Filosofia e História das Ciências UFBA/UEFS, professor titular do Instituto de Química da UFBA

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Publicado

06/04/2020

Como Citar

PINHEIRO, B. C. S.; EVANGELISTA, N. A. M.; MORADILLO, E. F. de. A reforma do “novo Ensino Médio”: uma interpretação para o ensino de ciências com base na pedagogia histórico-crítica. Debates em Educação, [S. l.], v. 12, n. 26, p. 242–260, 2020. DOI: 10.28998/2175-6600.2020v12n26p242-260. Disponível em: https://www.seer.ufal.br/index.php/debateseducacao/article/view/7289. Acesso em: 27 maio. 2022.

Edição

Seção

Dossiê “Pedagogia histórico-crítica, psicologia histórico cultural e ensino de ciências”