Crítica da medicalização na educação escolar: um saber necessário na formação de professores

Autores

DOI:

https://doi.org/10.28998/2175-6600.2020v12n26p15-35

Palavras-chave:

Educação. Medicalização. Formação

Resumo

Este artigo trata da temática medicalização e educação em uma perspectiva crítica. Analisa o processo exacerbado da crescente medicalização da subjetividade e os impactos provocados por tais intervenções no campo da formação escolar. É resultado de reflexões realizadas junto à disciplina de Psicologia da Educação por mim ministrada. O debate aqui proposto se sustenta nas contribuições analíticas advindas da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt. As análises aqui propostas indicam que a medicalização crescente do processo educacional exige um posicionamento intelectual crítico de educadores e demais profissionais da Educação para o desenvolvimento de atitudes de resistência e de compreensão da produção de uma existência empobrecida na contemporaneidade.

Biografia do Autor

Ademir Henrique Manfré, Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE)

Meu nome é Ademir Henrique Manfré. Sou professor da Universidade do Oeste Paulista/UNOESTE. Leciono junto aos cursos de graduação em licenciatura da FACLEPP da referida Universidade. Atualmente, desenvolvo pesquisas no campo da Educação Escolar, Inclusão escolar, Formação de Professores. Sou parecerista da REVISTA COLLOQUIUM HUMANARUM da universidade a qual estou vinculado. Também oriento pesquisas de Iniciação Científica na graduação, participando do Grupo de Pesquisa NUPEEX.

Referências

ADORNO, Theodor W. Mínima Moralia: reflexões sobre a vida danificada. Tradução de Artur Morão. São Paulo: Edições 70, 2001.

ADORNO, Theodor W. Tabus acerca do magistério. In: Theodor Adorno: educação e emancipação. Tradução de Wolfgang Leo Maar. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995, p. 97 – 118.

ADORNO, Theodor W. Teoria da Semicultura. Tradução de Newton Ramos-de-Oliveira; Bruno Pucci; Cláudia B. M. Abreu. Educação e Sociedade, n. 56, Campinas, São Paulo: Papirus, dez/1996, p. 388 – 411.

AMARANTE, P. Saúde mental e atenção psicossocial. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2007.

AGUIAR, Adriano Amaral de. A Psiquiatria no Divã: entre as ciências da vida e a medicalização da existência. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2004.

AGÊNCIA DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. RDC n° 67, de 08 de outubro de 2013. ANVISA divulga lista de remédios mais consumidos no Brasil. D.O.U. Brasília, DF, 2013. Disponível em: http://www.anvisa.org.br. Acesso em: 06 set. 2017.

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Tradução de Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed., 2001.

BENJAMIN, Walter. Experiência e pobreza. In: Obras escolhidas I. Tradução de Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1994a.

BENJAMIN, Walter. O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: Obras escolhidas I. Tradução de Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1994b.

BENJAMIN, Walter. Sobre alguns temas em Baudelaire. In: Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. Tradução de José Martins Barbosa, Hemerson Baptista. São Paulo: Brasiliense, 1989 (obras escolhas, v. 3).

BEZERRA JR, Benilton. A psiquiatria e a gestão tecnológica do bem-estar. In: FILHO, João Freire (org.). Ser feliz hoje: reflexões sobre o imperativo da felicidade. Rio de Janeiro; Editora FGV, 2010, p. 117 - 134.

BIRMAN, Joel. Muitas felicidades?! O imperativo de ser feliz na contemporaneidade. In: FILHO, João Freire (org.). Ser feliz hoje: reflexões sobre o imperativo da felicidade. Rio de Janeiro; Editora FGV, 2010, p. 27 - 48.

CHAUÍ, Marilena. O que é ser educador hoje? Da arte à ciência: a morte do educador. In: BRANDÃO, Carlos (Org.). O educador hoje. Rio de Janeiro: Graal, 1982, p. 51-70.

COLLARES, Cecília; MOYSÉS, Maria Aparecida A. Preconceitos no cotidiano escolar: ensino e medicalização. São Paulo: Cortez: Campinas, 1996.

Conselho Federal de Psicologia (CFP). Subsídios para a campanha “Não à medicalização da vida”: medicalização da educação. Brasília, DF: Conselho Federal de Psicologia. Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas – CREPOP, 2012.

COSTA, Rachel. Crianças estressadas: por que nossos filhos estão cada vez mais suscetíveis às doenças de origem emocional e o que podemos fazer para identificar e superar o problema diagnosticado em oito de cada dez meninos e meninas submetidos a tratamento. Revista ISTOÉ, ed. 2211, ano 36, 23 de mar. 2012. Disponível em: http://www.istoe.com.br. Acesso em: 15 set. 2017.

CHRISTOFARI, Ana C. Modos de ser e de aprender na escola: medicalização (in) visível? 2014, 137 f. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2014.

CROCHIK, José L; CROCHIK, Nádia. A desatenção atenta e a hiperatividade sem ação. In: Conselho Regional de Psicologia de São Paulo. Medicalização de crianças e adolescentes: conflitos silenciados pela redução de questões sociais a doença de indivíduos. São Paulo: casa do Psicólogo, 2015, p. 205 – 219.

CROCHIK, José L. Teoria Crítica da sociedade e psicologia: alguns ensaios. Araraquara, SP: Junqueira e Marin; Brasília, DF, 2011.

FILHO, João Freire (org.). Ser feliz hoje: reflexões sobre o imperativo da felicidade. Rio de Janeiro; Editora FGV, 2010.

FREUD, Sigmund. (1930). O mal-estar na civilização. Rio de Janeiro: Imago, 1997.

GAGNEBIN, Jeanne Marie. História e Narração em Walter Benjamin. São Paulo: Perspectiva: Fapesp, 1994.

GARRIDO, Juliana; MOYSÉS, Maria Aparecida. Um panorama nacional dos estudos sobre a medicalização da aprendizagem de crianças em idade escolar. In: Medicalização de crianças e adolescentes: conflitos silenciados pela redução de questões sociais a doenças de indivíduos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010, p. 150-161.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: história da violência nas prisões. Petrópolis: Vozes, 2000.

ILLICH, Ivan. A expropriação da saúde: nemesis da medicina. Rio de Janeiro: Nova Fronteira S. A, 1975.

LASCH, Christopher. A cultura do narcisismo. Rio de Janeiro: Imago, 1983.

MENEZES, Lucianne Sant’Anna de; ARMANDO, Gisela; VIEIRA, Patrícia. Medicação ou medicalização? São Paulo: Primavera Editorial, 2014. (Coleção Departamento Formação em Psicanálise).

OLIVEIRA, Gilberto Gonçalves de. Neurociências e os processos educativos: um saber necessário na formação de professores. Educação Unisinos, n° 18, p. 13 – 24, jan/ab. 2014.

RIBEIRO, Maria. A medicalização da educação na contramão das diretrizes curriculares nacionais da educação básica. Revista Entreideias, Salvador, v. 3, n. 1, p. 13-29, jan./jun. 2014.

ROHDE, Luis A. et al. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Revista brasileira de psiquiatria, n. 22, 2004, p. 7-11.

TAVARES, Leandro A. T. A depressão como “mal-estar” contemporâneo: medicalização e (ex) sistência do sujeito depressivo. 2009. 137 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia), Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Assis, 2009.

TARANTINO, Mônica; OLIVEIRA, Monique; GOMES, Luciana. As revelações sobre o cérebro adolescente: novas pesquisas decifram as transformações cerebrais que acontecem na adolescência, explicam comportamentos típicos e sugerem como lidar com eles. Revista ISTOÉ, ed. 2189, ano 35, 21 de out. 2011. Disponível em: http://www.istoe.com.br. Acesso em: 15 set. 2017.

TIBURI, Márcia. Uma outra história da razão. São Leopoldo: UNISINOS, 2003.

ZUIN, Antônio A. S. et al. Adorno: o poder educativo do pensamento crítico. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1999.

Downloads

Publicado

06/04/2020

Como Citar

MANFRÉ, A. H. Crítica da medicalização na educação escolar: um saber necessário na formação de professores. Debates em Educação, [S. l.], v. 12, n. 26, p. 15–35, 2020. DOI: 10.28998/2175-6600.2020v12n26p15-35. Disponível em: https://www.seer.ufal.br/index.php/debateseducacao/article/view/6243. Acesso em: 27 maio. 2022.

Edição

Seção

Artigos